Depois de 8 séculos de crises financeiras…

 

Carmem Reinhart estará por aqui amanhã para falar sobre “uma década de dívida”.

Muita coisa bacana acontece na School of International and Public Affairs, ontem mesmo tive de escolher entre um painel discutindo regulação financeira e o regime de metas de inflação com a presença do acadêmico e ex-ministro das finanças do Chile, Andrés Velasco , Allan Taylor (University of California, Davis) e um pessoal do Banco Central da Inglaterra, coordenado pelo Guillermo Calvo, e outro evento sobre Bem-estar econômico e mudança climática, com a presença de Partha Dasgupta, e dois laureados pelo Nobel, Kenneth Arrow e Joseph Stiglitz. Escolhi o primeiro, por motivos de afinidade de linha de pesquisa, claro.

Amanhã, Reinhart:

Carmen M. Reinhart, “A Decade of Debt”
Date: April 14, 2011 from 12:30 pm to 2:00 pm EDT
Location: Columbia University – Morningside Campus

Pena que deixei meu livro em casa, senão ia tietar e pedir autógrafo! A propósito, já fiz um post sobre a leitura dele, e volto novamente a recomendá-lo:

Belo compêndio das crises financeiras

Sobre o evento de ontem, além do clima descontraído, pois se tratava do painel final de um workshop sobre o regime de metas de inflação, promovido pelo Banco Central da Inglaterra em conjunto com Columbia, posso resumir da seguinte forma:

1. Em geral, o desempenho dos regimes de metas de inflação vem sendo avaliado em termos de sua capacidade de alcançar a meta divulgada pelo banco central dos países que o adotam, mas é sua sobrevivência à crise de 2007-08 o grande teste para o regime: como os países que o adotam reagiram e como o regime contribuiu (ou não) para o recuperação pós-crise? Perguntas a serem respondidas.

2. Há uma preocupação geral com a ausência de liderança para a regulação dos mercados financeiros globais, papel que deveria estar sendo realizado pelo FMI, que, segundo os palestrantes, está se “fingindo de morto” enquanto o barco corre, ninguém sabe para onde. Velasco defende que países pequenos, que não têm qualquer poder sobre a regulação global, têm de fazer o que podem: manter reservas em dólares e intervir em seus mercados cambiais, ainda que adotem regimes de metas de inflação (foi o que ele fez no Chile, e é o que o Brasil tem feito, com sua montanha de US$ 300 bilhões de dólares), pois segundo ele, “A vida é um second best”… Calvo chama a atenção para a elevação do protecionismo e de imposição de barreiras unilaterais ao fluxo internacional, que aliviam um país mas jogam o “problema” para outro…

3. A partir de uma pergunta da platéia, que citou o Brasil, a Índia e outros emergentes, o pessoal do BC Inglês alertou para a necessidade de consistência entre os regimes fiscais e monetários, que só pode ser “ignorada” quando o céu é de brigadeiro, quando não, tais inconsistências podem inviabilizar a operacionalização do regime de metas de inflação.  Bom, mais isso, todo economista brasileiro fora do governo sabe…


 

3 Respostas to “Depois de 8 séculos de crises financeiras…”

  1. Pedro Says:

    Desejo sorte grande na empreitada e continuo por segui-la, afinal, ainda és a última orientadora.

  2. Diogo de Prince Mendonça Says:

    Oi Roseli, tudo bom?
    Aqui é o Diogo, ex-aluno do mestrado da FEA-RP. Fico feliz com o seu pós-doc, muito bacana. Boa sorte no retorno à vida de estudante.rs
    Que dúvida!
    Curiosidade, a professora vai focar em algum tema específico os estudos no pós-doc? Está aprofundando os estudos em séries temporais com a professora Serena Ng?
    Outra curiosidade: tem como a professora relacionar o período na Espanha e agora na Columbia (embora no começo)? A professora teria como apontar diferenças entre os dois centros? Acho que seria interessante para mim, por exemplo.


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