São os Americanos Libertários?

 

Assim que cheguei, lendo umas revistas que ficam sobre a mesa de jantar, deparei-me com um interessante artigo na New York do começo desse ano, intitulado “The Trouble with Liberty” (texto disponível aqui). Libertarianismo, segundo o artigo, é uma palavra longa e estranha para uma idéia simples e elegante: o governo deveria fazer o mínimo possível. Numa outra definição, que particularmente acho mais atraente, lemos: “ A Primer, Cato Institute executive vice president David Boaz defines it as “the view that each person has the right to live his life in any way he chooses so long as he respects the equal rights of others.”” (grifo meu)

O artigo argumenta que libertários, tanto à direita, quanto à esquerda, nunca estiveram tão próximos do poder como agora e ilustra posições de congressistas americanos sobre diversos temas, que vão da obrigatoriedade de que passageiros de aviões passem por um raio-X, por medida de segurança, a cortes no orçamento americano. Nessas posições, libertários à direita são, em geral, contrários a políticas intervencionistas, pacotes de estímulo à economia e reformas no sistema de saúde; à esquerda, as questões são outras, associadas a liberdades sociais, à não intervenção na vida privada de cada um, como por exemplo, restrições sobre com quem você se casa. Afirma também que não há idéia mais fundamental na história americana que a libertária e que um em cada dez americanos se auto-identifica como libertário – e esse numero pode estar crescendo:

“In a 2009 Gallup poll, 23 percent of Americans responded to questions about the role of government in a way that categorizes them as libertarian—up from 18 percent in 2000. A survey conducted by Zogby for the Cato Institute has put the libertarian vote at around 15 percent. Loosen the wording, and the pool expands. When the Zogby survey asked voters if they would describe themselves as “fiscally conservative and socially liberal, also known as libertarian,” the number rose to 44 percent. When it simply asked if they were “fiscally conservative and socially liberal,” a full 59 percent responded yes.”

Bem… com a ressalva de que desconheço a metodologia de tal pesquisa, os resultados são surpreendentes. Passei, então, a fazer eu própria  minha pesquisa, sem metodologia nenhuma, claro. Ou melhor, com uma mínima e arbitrária: quando encontro um autêntico americano nessa megalópole multicultural (pleonasmo, talvez) eu pergunto se se considera libertário. Comecei pela minha “landlady”, que não aceitou o rótulo porque o desemprego está muito alto e o governo precisa fazer algo… Já o senhor de bicicleta que parou e se ofereceu para tirar uma foto de mim, para mim, mesmo eu estando me ajeitando super bem com meu disparador automático no Central Park, e, claro, puxou papo (he was hitting on me… ?) logo se identificou como libertário, admirador de Milton Friedman e partidário do livre mercado. Por enquanto, está empatado!

Brincadeiras à parte, continuo recomendando a leitura do artigo.



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