I Encontro de Blogueiros, participação por vídeo

 

O “I Encontro de Blogueiros de Economia” aconteceu na última sexta-feira, dia 25/03, na FEA-USP, e pelo que os colegas escreveram em seus blogs, parece ter sido um sucesso!

Cláudio Shikida, o homem do microfone, faz um resumo do evento (clique aqui) e Cristiano Costa já anuncia o II Encontro para 2012 em BH (aqui) – deste eu quero participar pessoalmente, principalmente do animadíssimo 4° Painel, conforme mostrou Alex.

Como eu falei demais, pedi ao Cristiano que editasse para o dia do evento! Minha participação no painel sobre “Os Blogs na Sala de Aula”, pode ser vista aqui, na íntegra:

 


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Japão – Evento com Especialistas de Columbia

 

Tenho acompanhado atentamente as notícias e as análises de especialistas sobre o terremoto que atingiu a costa nordeste do Japão, no dia 11 de março. Além dos meus mais profundos sentimentos pelas perdas humanas, não tenho nenhuma contribuição essencial para o tema; não sou especialista em economia japonesa, apenas admiradora da cultura e da história desse povo heróico e resiliente.

Exatamente por isso procurei aprender mais um pouco ouvindo especialistas da Universidade de Columbia, num evento realizado ontem, dia 22 de Março, intitulado “The Economic, Health, and Political Consequences of Japan’s Earthquake”, e vou reportar aqui os pontos que considerei mais interessantes da fala de cada um dos especialistas, claro que sob meu próprio filtro.

O primeiro a falar foi Professor Brenner, especialista em efeitos da radiação sobre a saúde, que começou explicando como funciona uma usina nuclear e como pode haver vazamento de material tóxico em casos como o do Japão. Primeiro, os reatores desligam automaticamente na ocorrência de um terremoto, e como houve falta de energia, a refrigeração necessária mesmo com os reatores desligados não ocorreu, levando à necessidade de liberação de vapores radioativos como medidas emergenciais, evitando uma catástrofe nuclear. A contaminação tem sido mínima, e segundo esse especialista, não deve causar dano algum à população da região no curto prazo. O problema está no acúmulo do material radioativo (I-131 e Cs-137, principalmente) no ambiente no médio e longo prazo, o que requer um programa de acompanhamento da população, da produção agropecuária e da cadeia alimentar como um todo. Isso porque o I-131 tem meia-vida física de 8 dias e o Cs-137, de 30 anos. Ou seja, a cada 30 anos metade da quantidade do elemento se desintegra, no caso do Cs-137. Já a meia-vida biológica (considerando os efeitos desses elementos sobre os seres vivos) é se 3 meses para o I-131 e de 70 anos para o Cs-137.  Professor Brenner também apresentou uma interessante tabela em que  mostrou os principais caminhos de exposição das pessoas a tais elementos radioativos: 55% bebendo leite e 15% por meio do consumo de outros tipos de alimentos, produzidos na região atingida; 15% por inalação e 15% por exposição direta. Assim, as medidas imediatas são evacuação e proibição do consumo de produtos, leite principalmente, da região. Quantos aos efeitos sobre a saúde de uma baixa dose de exposição (a qual ainda não foi alcançada no caso japonês), citou um pequeno aumento no risco de desenvolver câncer no longo prazo: esse risco ao longo da vida “normal” é de 44%, com a exposição a doses baixas, aumentaria para 44,3%. Ele também chamou a atenção para a possibilidade de ocorrência de psico-sintoma, numa escala mais geral, como foi verificado no episódio de contaminação por Cs-137 em Goiânia em 1987, em que diversas pessoas que não estavam de fato contaminadas foram atendidas em hospitais com queixas de sintomas de contaminação, o que também requer atenção das autoridades de saúde japonesas.

Quanto as consequencias econômicas, Professor Weinstein começou sua exposição alertando para o fato de que a atividade econômica japonesa está intimamente ligada a geografia física, mostrando mapas som fotos de satélite que permitiam identificar as áreas mais populosas e de maior importância econômica nas regiões mais planas fisicamente. A principal área atingida pelos terremoto e tsunami não são de relevância econômica, também por isso acredita que as consequências econômicas não serão severas. Agregou a esse argumento, outro que explica porque não deve haver grande efeito de propagação de uma crise: a utilização da capacidade instalada (máquinas, equipamentos, infraestrutura) estava relativamente baixa antes da ocorrência do terremoto, era de 82%. Ou seja, o Japão não perdeu capacidade instalada significantemente, uma vez que as principais perdas materiais são de bens de consumo duráveis (casas, carros, edifícios comerciais, etc), e terá, agora uma elevação de demanda desses bens que poderão ser produzidos ao longo do tempo sem grandes pressões do lado da oferta. Ele acredita que em 1 ou 2 anos a economia japonesa está restabelecida e com a possibilidade de se mostrar mais dinâmica que anteriormente, devido ao choque de demanda atual. Mesmo em relação ao insumo energético, que poderia ser uma restrição de oferta, Professor Weinstein não vê grandes problemas, lembrando que o sistema energético japonês tem uma diferenciação de voltagem entre o leste e o oeste, que impediria que a energia gerada no oeste fosse transferida para o oeste, mas mesmo assim, os principais centros econômicos não sofreriam escassez de energia no médio prazo, dentro das circunstâncias atuais. O ponto que talvez seja o mais sensível é a sustentabilidade fiscal do governo japonês, que já acumula uma dívida líquida de 114% do seu PIB, mas a estimativa de impacto dos gastos japoneses com a recuperação econômica é de 2 pontos percentuais, o que, segundo ele, não causaria grandes efeitos sobre a sustentabilidade fiscal ao longo do tempo.

Professor Curtis tratou das questões políticas, chamando a atenção para o fato de que o governo japonês têm respondido a esse episódio de forma mais aberta, honesta e afável, inclusive aceitando ajuda internacional, como em nenhum outro momento. Ressaltou a forma como especialistas, comentaristas, cientistas e jornalistas têm falado ao público, de maneira serena, exatamente o que sabem no momento, na cobertura da NHK que ele tem acompanhado. A pergunta para a qual ele não tem resposta é: “Os políticos irão elevar o nível do debate político e aproveitar a energia para reconstruir e crescer que o povo japonês possui?”. Segundo Professor Curtis, os japoneses não necessitam de líderes carismáticos para aglutinar a sociedade em torno de um objetivo, eles não estão em pânico, nem com raiva da natureza ou do governo, eles só precisam de gerenciamento administrativo.

 

Espero ter contribuído de alguma forma, compartilhando um pouco do que aprendi com vocês!

Speakers:

David J. Brenner

Higgins Professor of Radiation Biophysics, College of Physicians & Surgeons of Columbia University; Director of the Center for Radiological Research (CRR); Director of the Columbia University Radiological Research Accelerator Facility (RARAF)

Prof. Brenner is an expert in the field of identifying the effects of low doses of radiation relating to medical, occupational, and environmental exposures, and winner of the the 1992 National Council on Radiation Protection and Measurements Award for Radiation Protection in Medicine.

Gerald L. Curtis

Burgess Professor of Political Science; Director, Toyota Research Program, Weatherhead East Asian Institute, Columbia University

Prof. Curtis has published extensively on Japanese politics and serves as a columnist for numerous Japanese and US news publications. He was awarded the Order of the Rising Sun, Gold and Silver Star by the Emperor of Japan, one of the highest honors bestowed by the Japanese government.

 

David E. Weinstein

Carl S. Shoup Professor of the Japanese Economy; Associate Director for Research, Center on Japanese Economy and Business, Columbia Business School; Executive Director, Program for Economic Research, Columbia University

Prof. Weinstein has written extensively on the economic impact of catastrophic events in Japan as well as on trade, macro, and financial economics. Prof. Weinstein is the winner of numerous grants and awards and has served as an advisor to the Japanese Cabinet Office and to the Federal Reserve Bank.

 

Curtis J. Milhaupt (Moderator)

Fuyo Professor of Japanese Law; Parker Professor of Comparative Corporate Law; Vice Dean, Columbia Law School

Prof. Milhaupt is an expert on the Japanese legal system, and has published widely in the fields of corporate governance and law and economic development.


São os Americanos Libertários?

 

Assim que cheguei, lendo umas revistas que ficam sobre a mesa de jantar, deparei-me com um interessante artigo na New York do começo desse ano, intitulado “The Trouble with Liberty” (texto disponível aqui). Libertarianismo, segundo o artigo, é uma palavra longa e estranha para uma idéia simples e elegante: o governo deveria fazer o mínimo possível. Numa outra definição, que particularmente acho mais atraente, lemos: “ A Primer, Cato Institute executive vice president David Boaz defines it as “the view that each person has the right to live his life in any way he chooses so long as he respects the equal rights of others.”” (grifo meu)

O artigo argumenta que libertários, tanto à direita, quanto à esquerda, nunca estiveram tão próximos do poder como agora e ilustra posições de congressistas americanos sobre diversos temas, que vão da obrigatoriedade de que passageiros de aviões passem por um raio-X, por medida de segurança, a cortes no orçamento americano. Nessas posições, libertários à direita são, em geral, contrários a políticas intervencionistas, pacotes de estímulo à economia e reformas no sistema de saúde; à esquerda, as questões são outras, associadas a liberdades sociais, à não intervenção na vida privada de cada um, como por exemplo, restrições sobre com quem você se casa. Afirma também que não há idéia mais fundamental na história americana que a libertária e que um em cada dez americanos se auto-identifica como libertário – e esse numero pode estar crescendo:

“In a 2009 Gallup poll, 23 percent of Americans responded to questions about the role of government in a way that categorizes them as libertarian—up from 18 percent in 2000. A survey conducted by Zogby for the Cato Institute has put the libertarian vote at around 15 percent. Loosen the wording, and the pool expands. When the Zogby survey asked voters if they would describe themselves as “fiscally conservative and socially liberal, also known as libertarian,” the number rose to 44 percent. When it simply asked if they were “fiscally conservative and socially liberal,” a full 59 percent responded yes.”

Bem… com a ressalva de que desconheço a metodologia de tal pesquisa, os resultados são surpreendentes. Passei, então, a fazer eu própria  minha pesquisa, sem metodologia nenhuma, claro. Ou melhor, com uma mínima e arbitrária: quando encontro um autêntico americano nessa megalópole multicultural (pleonasmo, talvez) eu pergunto se se considera libertário. Comecei pela minha “landlady”, que não aceitou o rótulo porque o desemprego está muito alto e o governo precisa fazer algo… Já o senhor de bicicleta que parou e se ofereceu para tirar uma foto de mim, para mim, mesmo eu estando me ajeitando super bem com meu disparador automático no Central Park, e, claro, puxou papo (he was hitting on me… ?) logo se identificou como libertário, admirador de Milton Friedman e partidário do livre mercado. Por enquanto, está empatado!

Brincadeiras à parte, continuo recomendando a leitura do artigo.



What’s the dollar name in Brazil?

 

Hã?… What do you mean?

Com cara de quem não estava entendo lhufas, foi com essa outra pergunta que respondi à primeira. Qual o nome do dólar no Brasil? Como assim, cara-pálida?

Depois daqueles segundos em que me senti num outro planeta, compreendi a pergunta, simples, de uma americana de nível educacional médio: a atendente do banco em que fui abrir minha conta aqui (não vou dizer nomes nem no banco nem da simpática moça, por uma questão óbvia). Ela foi super solicita, me atendeu muito bem, abriu a conta e me passou as informações com clareza e até me deu dicas de restaurantes brasileiros na cidade… Mas, em meio a essa simpatia toda, ela me revelou um fato que me parece universal para o americano médio: eles acham que o resto do mundo usa o dólar como moeda, apenas mudando o nome… No fundo, no fundo, não estão totalmente errados… mas o ponto aqui é tratar moeda e dólar como sinônimos! A simpática atendente queria saber qual era a moeda em circulação no Brasil, o real – e achou graça no nome!

Mais interessante ainda: ela sabia que a moeda na Coréia (do Norte e do Sul) é o won, que na China é o yuan, no Japão, o yen… em nenhum momento ela falou em dólar japonês… E o que isso mostra? Que os orientais estão dominando tudo! Ela tem inúmeros clientes, estudantes de Ph.D. e Visiting Scholars em Columbia, vindos desses países, o que reforça o que já me é óbvio ululante andando pelas ruas do campus.

No mais, semana de Spring Break, sem atividades acadêmicas, além de minhas “horas-bunda” de estudo e pesquisa individuais e longas caminhadas pela cidade…


Workshop de econometria – ou será grego?

Atividades acadêmicas a todo vapor por aqui!

É muito bom poder voltar a ser estudante, andar à pé ou de metro (tem chovido bastante por aqui… e como venta nesta ilha!) – é… isso não é la muito bom, vai! Mas faz parte do pacote. Aliás, foi exatamente por essas possibilidades que decidi, há quase 5 cincos, sair da atuação em universidades privadas para a pública: não há nada mais prazeroso para mim que voltar a estudar, aprender coisas novas, conhecer o dia-a-dia de outra cultura, interagir com gente do mundo do todo! Entrar numa sala de aula e simplesmente ouvir, pensar, anotar e, às vezes, fazer perguntas (nunca dormir, bocejar descaradamente, ou entrar e sair a toda hora… )! E o mais: ali, na sua frente, explanando um tópico da matéria, um sujeito cujos artigos você lê desde que “se entende por gente” na área!! Fantástico!

Tenho frequentado os workshops de macroeconomia e de econometria, em que participam convidados de diversas universidades mundo à fora, e os colloquiuns dessas mesmas áreas. Nesses últimos, tenho me sentido bastante confortável, porque são apresentações dos artigos que comporão as teses dos estudantes de phd do departamento, então, embora o nível seja elevado, eu tenho acompanhado bem as discussões. O mesmo posso dizer do Money & Macro Workshop, coordenado pelos profs. Ricardo Reis (meu supervisor no programa) e Michael Woodford, que acontece às terças pela tarde, embora aqui realmente se discuta a fronteira da área, ainda tem sido bastante palatável.

Porém… Econometrics Workshop, coordenado pela prof. Serena Ng, que regularmente conta com a presença dos profs. Bernard Salanié e Jushan Bai… nossa! tem sido quase grego para mim! A discussão aqui é em nível avançadíssimo e teórico, claro. Para alguém que se pretende boa usuária da econometria apenas, como eu, é muito difícil entender o propósito dos artigos e muito menos o desenvolvimento deles. Para dar uma idéia, veja o título do último: “Cube-Root-N and Faster Convergence, Laplace Estimators, and Uniform Inference”… hã?? pareceu grego a certa altura da apresentação…


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