Medidas macroprudenciais e política monetária

 

Primeiro, vamos começar esclarecendo de que trata o tema deste post. Como os comunicados do Banco Central do Brasil (BCB) passaram recentemente a enfatizar medidas dessa natureza, dá a impressão de ser alguma inovação no campo da política monetária. Mas não é. Medidas ou ações macroprudenciais surgiram na literatura de regulação e supervisão bancária, na década de setenta e, não sem razão, tais termos ganharam importância nas discussões pós-crise de 2007-2008.

E por quê? Porque tratam exatamente de medidas para diminuir o risco sistêmico do setor bancário. Esse risco tem duas principais fontes: a primeira é a tendência a sobre-exposição a riscos que as instituições financeiras (assim como as empresas e os consumidores) apresentam no auge de um ciclo de crédito, seguida de uma excessiva aversão ao risco na fase de desaceleração (o que pode estar associado à crença de que uma instituição é muito importante para falir…); a outra importante fonte é o fato de que os bancos, individualmente, são incapazes de lidar com os efeitos de suas ações arriscadas sobre o sistema financeiro como um todo. As medidas macroprudenciais devem lidar com essas duas fontes de risco, por exemplo, elevando as exigências de requerimento de capital para operações de risco, como fez o nosso BCB no início do mês corrente, e, principalmente, centrado o foco na supervisão.

A literatura e a prática da política monetária tem resgatado esse tipo de medida em busca de  maior estabilidade e resiliência para o sistema financeiro, também chamando a atenção para os limites de tais medidas, que não podem, por si, fazer o ajuste fino do ciclo macroeconômico. Necessários também são: a operação dos instrumentos de política monetária, respondendo simetricamente às fases dos ciclos financeiros e de negócios; a política fiscal sustentável; assim como, de maneira vital, a cooperação internacional, sem a qual as ações de países individuais podem ser insignificantes no atual estágio de integração financeira mundial.

Como alerta, dada a recente ênfase da mídia sobre o tema e também sobre o discurso do futuro presidente do BCB, aproveito para destacar que medidas macroprudenciais não são a mesma coisa que operar instrumentos tradicionais de política monetária, como o depósito compulsório! Fazer política monetária por meio de depósito compulsório é apenas uma forma mais demorada e incerta (portanto, mais ineficiente) de alterar a taxa de juros, não se iludam com discursos enganosos que começam a exaltar “a libertação do BCB dos grilhões dos mercados financeiros”. Pura bobagem. Mas posso falar sobre isso num próximo post!

 


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5 Respostas to “Medidas macroprudenciais e política monetária”

  1. karina Says:

    Bom todos nos sabemos que a economia tem ciclo que se repetem,então no era o caso do diretor do banco central juntos com os o governo dos E.U.A terem se previnido sobre essa queda do dolar e não ter deixado chegar como nos dias de hoje?Eles poderiam tomar dessições juntos de uma forma que o mundo não sentisse tanto essa queda?

  2. Renne Says:

    Karina, os E.U.A. teria grande inteesse em exportar manufaturas ao nosso “populoso” país, e para isso se tornar viável, o dólar desvalorizado é fundamental. O obstáculo dos E.U.A. vem a ser a temida China, com sua mão de obra barata. O fator para esse atual problema vem ser o fator “Lula”, que gostou da ideia de aumentar a taxa de juros do país, atraindo capital os dólares do exterior, prescionando o valor do dólar para baixo, combatendo momentaneamente a inflação causada pelas commodities. Bom…Tem muito a ser discutido, mas vamos deixar pro Estadao e para o Valor Econômico.

    • Eli Says:

      Renne
      Acredito que a entrada de dólares no País, se deva muito mais a crise na Europa e nos E.U.A, e a própria estabilidade da economia brasileira do que a recente elevação da taxa de juros! assim como na inflação além da altas das commodities, temos também o aquecido mercado interno, que tinha uma demanda reprimida em bens de consumo até pouco tempo! de fato um aumento das taxas de juros( que só começa a subir no fim de 2010) não irá resolver de forma satisfatória o problema da inflação. Como vc mesmo diz! muito tem de ser discutido!!

  3. Um semestre sem alunos « Random Walk Says:

    […] junho, até que está bom! Os termos de busca “medidas macroprudenciais” (veja o post Medidas macroprudenciais e política monetária) e “random walk” (veja a página Random Walk???) continuam sendo os campeões entre os […]


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