Keynes foi mesmo brilhante!! (Clube de Leitura I)

Iniciei este semestre uma atividade extra-curricular com alguns poucos alunos, interessados em não se tornarem Novo-Keynesianos sem nunca terem lido a “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda“, de John Maynard Keynes – publicado originalmente em 1936, é obra seminal da macroeconomia, como a conhecemos hoje nos livros-texto.

A atividade é um Clube de Leitura, cujo propósito é estimular o estudo de obras clássicas como complemento à formação do estudante de economia. A cada encontro, capítulos daquele livro serão discutidos, sendo um dos membros o responsável por encaminhar a discussão, sob minha mediação e esclarecimentos.

Alguns acham tal atividade totalmente dispensável para a formação do economista. Eu não acho, assim como não acho dispensável ler os clássicos em geral, à medida que se avança no estudo e na compreensão da ciência econômica. Além disso, Keynes dá um show de retórica e, para nós todos, formados na tradição keynesiana, já não é um livro “impossível de ler, difícil” como era para aqueles formados na doutrina clássica e para os que acompanharam todo o debate e se formaram ao longo das décadas seguintes… Hoje, ao contrário, é possível mesmo se divertir com a leitura, verdade principalmente para os estudantes que já passaram por um curso de macroeconomia inicial.

Eu vou destacar aqui alguns trechos que acho brilhantes e sempre me pego sorrindo quando os leio (do Livro I, capítulos 1 a 3*)!

“Os teóricos da escola clássica são comparáveis aos geômetras euclidianos em um mundo não euclidiano, os quais, descobrindo que, na realidade, as linhas aparentemente paralelas se encontram com muita frequencia, as criticam por não se conservarem retas, como único recurso contra as desastrosas interseções que se produzem.” (p. 32-33)

“Aparentemente, depois de Malthus, os economistas profissionais ficaram insensíveis diante da falta de conformidade entre os resultados de sua teoria e dos fatos observados; uma discrepância que o homem comum não deixa de observar, como resultado de uma crescente obstinação em conceder aos economistas a manifestação de respeito que tributa a outros grupos de cientistas cujas conclusões teóricas são confirmadas pela observação, quando aplicadas aos fatos” (p. 43, grifo meu)

Ao longo da releitura que farei da Teoria Geral, deixarei aqui comentários e trechos que me divertem… Você, membro do Clube, pode fazer o mesmo! Deixe seu comentário destacando seu trecho preferido que farei uma compilação num próximo post!!

*KEYNES, J. M.  “A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”. São Paulo: Atlas, 1982.



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Dinâmica econômica – o mundo é dinâmico!

Quando se observa a economia em funcionamento, observa-se um mundo em movimento, dinâmico. Isso, em geral, acaba confundindo os estudantes de economia (e muitos dos economistas profissionais, infelizmente…), levando-os a pensar que os modelos estáticos, aqueles em que o tempo não aparece explicitamente, são inúteis para entender o mundo real.

Ao estudar dinâmica econômica, o tempo passa a ser a variável-chave e o foco da análise é a trajetória das variáveis de interesse (os preços ou as quantidades de bens específicos, sob diversas estruturas de mercado, o produto da economia, a taxa de juros, a taxa de câmbio, a dívida pública, etc…). A trajetória, para grande parte das variáveis econômicas, deve convergir para seus valores de equilíbrio intertemporal, que correspondem exatamente aos equilíbrios estudados nos modelos estáticos (cerca de 80% de toda a teoria que se estuda em uma graduação de economia é estática).

Uma ilustração gráfica de uma análise dinâmica poderia ser (em tempo contínuo):

Com este tipo de análise, pode-se avaliar como (com que formato de curva, neste caso, exponencial) e com que velocidade (quanto tempo) a variável se aproxima do equilíbrio. No entanto, também se aprende que, em geral, ela efetivamente nunca alcança o tal equilíbrio, nem mesmo se deixarmos o tempo passar infinitamente… Aí que surgem as confusões seguidas de desprezo pelas teorias estáticas. E aí também que está o erro!! Conceitualmente, é muito importante sabermos para que valor (equilíbrio intertemporal) tende a variável, ou, se a trajetória não for estável, de que valor a variável se afasta de forma persistente (situações de bolhas especulativas nos mercados financeiros ou de hiperinflação se aproximam desse caso). Importante também é analisar a velocidade de convergência e de que parâmetros do modelo ela depende, bem como em quanto tempo nos aproximamos o suficiente do equilíbrio intertemporal.

Ao longo do tempo, a trajetória da variável de interesse pode sofrer mudanças devido a alterações exógenas ou a choques aleatórios. Por exemplo, quando analisamos a trajetória das flutuações de curto prazo do produto da economia, sabemos que o equilíbrio sofre alterações em consequencia de mudanças de política monetária ou fiscal, fazendo com que a trajetória mude e inicie um caminho (longo ou curto, a depender dos mecanismos de transmissão expressos nos parâmetros numéricos do modelo) de aproximação a esse novo equilíbrio intertemporal, e é isso que observamos quando olhamos o mundo em funcionamento!!

PS. Aos alunos de Mat. Aplic. II, o último exercício da lista trata disso!!




Economista? Que bicho é esse?

13 de Agosto, neste ano, uma sexta feira – belo dia para ser nosso dia, não? Ainda bem que somos bastante racionais e não nos impressionamos com essas tolices de superstições… rs…

Em homenagem ao nosso dia, resolvi falar um pouco sobre a profissão de economista. Costumo fazer palestras sobre o assunto, em escolas de ensino médio e nos eventos da Instituição em que trabalho, que intitulo “Economista? que bicho é esse?”.

O Economista é um profissional que analisa e propõe soluções para problemas associados a escolhas de várias ordens: financeiras, produtivas, sobre alocação de recursos públicos, de tempo, sobre decisões de consumo, etc. Para identificar e analisar tais problemas, os Economistas têm um modo particular de pensar, um modo estruturado (para simplificar o todo complexo do mundo real), em que buscamos: caracterizar os fatores históricos, políticos e institucionais que afetam o problema; ressaltar as principais variáveis econômicas envolvidas;  hipotetizar relações entre elas a partir das teorias e modelos conhecidos; e obter observações reais (dados) para estas variáveis para que, se for o caso, possamos analisar o problema a partir de instrumentos estatísticos e fazer inferência sobre hipóteses de interesse.

Por que escolhas são fundamentais? Porque os recursos disponíveis são escassos e os desejos são ilimitados!

Com um forma estruturada de pensar, os economistas devem ser capazes de: IDENTIFICAR ALTERNATIVAS POSSÍVEIS; AVALIAR OS BENEFÍCIOS E CUSTOS DE CADA UMA DELAS; COMPARAR E CLASSIFICAR OS RESULTADOS; COMUNICAR E ARGUMENTAR DE FORMA CLARA E PRECISA SUA AVALIAÇÃO.

A formação de um economista envolve, então, conhecimentos de história, de métodos quantitativos e de teoria econômica, e a monografia de final de curso propicia a consolidação da formação:



Se gostou, procure mais informações, converse com economistas e conheça as muitas possibilidades de atividades em empresas públicas ou privadas, no setor de administração pública propriamente, além da Academia, que economistas podem desenvolver!


Divulgando idéias interessantes

Você conhece TED?

“TED is a small nonprofit devoted to Ideas Worth Spreading. It started out (in 1984) as a conference bringing together people from three worlds: Technology, Entertainment, Design.”

Segue o link: http://www.ted.com/

Recebi esta semana um e-mail de um aluno, Paulo Botta, falando sobre o site, em que se podem encontrar, dentre outras coisas, palestras muito interessantes, organizadas por áreas temáticas. Também como sugestão dele, assisti a esta:

http://www.ted.com/talks/laurie_santos.html

Uma palestra sobre “monkeynomics”, em que se apresentam testes com macacos de comportamentos irracionais humanos associados a escolhas econômicas em situação de risco… E, pasmem, a “monkeynomics” também poderia sofrer uma crise financeira de grandes proporções: parece que a estratégia irracional de tomar mais risco quando já se está em situação ruim (a percepção de risco depende da situação ou estado) tem raízes profundas na psicologia humana, tão antigas que são compartilhadas com nossos colegas macacos… interessante!!

Obrigada, Paulo! Compartilho com os leitores sua dica. Vale checar!!


Semestre novo, post novo…


Depois de um longo e tenebroso inverno… Eis que estou de volta!

Junho, correria de final de semestre… Julho, férias! Concordo… descumpri meu compromisso de persistência, assumido ao inaugurar este Blog – falhei em manter as postagens nos dois últimos meses.

Mas ao que interessa: semestre novo, novos projetos. Um deles é abrir uma página no blog para a disciplina que ministrarei na graduação; assim, teremos mais um meio de comunicação para trocar impressões, deixar opiniões sobre o andamento das aulas, sobre o conteúdo, etc. A disciplina, suponho, não é  a mais adequada para a introdução dessa inovação, mas vou experimentar de qualquer forma. Que seja já: o blog para a disciplina Matemática Aplicada II está aberto, na página ¨Bola da Vez¨!!!

Outra novidade é a criação do Clube de Leitura, que talvez mereça também uma página aqui… O que vocês acham? O clube será inaugurado com a leitura e discussão, com reuniões quinzenais, de uma obra clássica em economia: Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de Jonh Maynard Keynes, publicada originalmente em 1936. Obra seminal para a macroeconomia moderna, poderá auxiliar os participantes a compreenderem muitos aspectos obscuros da macroeconomia básica de livros-texto, mas também plantará outras tantas questões interessantes nas cabeças desses futuros economistas…

Por enquanto, é isso! Um excelente semestre a todos!!



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