O sobe e desce do câmbio

 

O que é a taxa nominal de câmbio?

Comecemos com este esclarecimento. Embora leve o nome de “taxa” tal variável é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em termos de moeda doméstica. Se falamos da taxa nominal de câmbio do dólar americano, como é o caso, estamos falando do preço do dólar em reais. Assim, se a taxa de câmbio é de 1,76 isso significa que necessitamos de R$ 1,76 para comprar US$ 1,00.

A determinação de desse preço depende do tipo de regime cambial escolhido pelo governo, como parte de seus objetivos de política econômica, e todo regime tem vantagens e desvantagens. Os governos podem adotar regimes em que a taxa nominal de câmbio seja fixa, e neste caso há um compromisso por parte do governo, frente aos agentes privados, de comprar e vender a moeda estrangeira ao preço pré-determinado. As implicações  principais desta escolha estão associadas à condição de realização de política monetária – o governo fixa o câmbio e abre mão de conduzir a política monetária de acordo com as necessidades e os objetivos internos. Porém, se o governo quer ter condições de gerenciar a política monetária, necessariamente deverá deixar a taxa nominal de câmbio ser determinada pelo mercado cambial, num regime de câmbio flexível administrado. Este é o caso de países que adotam o regime monetário de metas de inflação, como o Brasil.

O mercado cambial é, então, um mercado em que se compra e vende um ativo financeiro, a moeda estrangeira, e se constitui, dessa forma, em um segmento dos mercados financeiros. Ao operar sob um regime de flexibilidade administrada, compreende-se que o preço do ativo negociado, precisamente a taxa nominal de câmbio, seja formada pelo equilíbrio das forças de mercado: oferta e demanda de divisas (moeda estrangeira, dólar, no caso).

Do lado do fluxo de ofertas de dólares, estão, principalmente, os exportadores que vendem suas mercadorias ao resto do mundo, recebem em dólares e trocam (ofertam) tais dólares no mercado cambial para transformá-los em reais e utilizá-los internamente em suas atividades; também estão os capitais de curto e longo prazos que entram em busca de ganhos em nossos mercados financeiros (capitais de curto prazo) ou para ser aplicados em alguma atividade produtiva (longo prazo, na forma de investimento direto estrangeiro, em geral).

Pelo lado da demanda, encontramos, principalmente, os importadores que necessitam trocar seus reais por dólares para fazer face aos pagamentos dos bens e serviços comprados dos estrangeiros; também estão os investidores que saem do país para buscar nos mercados internacionais outras oportunidades, sejam eles estrangeiros que entraram no país em determinado momento anterior, sejam brasileiros investindo seus capitais de curto e longo prazos em outros países.

O governo pode entrar do lado de ofertante ou demandante de moeda estrangeira, se considerar que os fluxos de demanda e oferta de mercado estão formando uma taxa “inadequada” ou gerando excessiva variação (volatilidade) neste preço. Claro, para entrar vendendo dólares o governo deve ter reservas desta moeda, que compõem as chamadas Reservas Internacionais, hoje, no Brasil, em mais de 240 bilhões de dólares. 

Ao observamos o gráfico acima, notamos claramente que o preço do dólar caiu de forma persistente de março a outubro do ano passado, principalmente devido ao desempenho das exportações frente às importações e também à entrada de capital estrangeiro, tanto de curto quanto de longo prazos, favorecida pela busca de mercados considerados estáveis frente à crise financeira internacional – o Brasil estava nessa classe. Câmbio em baixa é bom para a estabilidade de preços domésticos (inflação sob controle), mas prejudica as receitas em reais dos exportadores… não foi à toa que o governo acumulou aquela montanha de reservas internacionais.

A partir de 2010, a taxa média, até 07/04, foi de R$ 1,798 por dólar, com uma volatilidade de 2,28%. Comparando-se ao período de mais estabilidade anterior, que foi de 15/10 a 31/12/09, a taxa média de câmbio foi de R$ 1,737 por dólar e a volatilidade, de 1,23%. Ou seja, tanto a média quanto a variabilidade do câmbio subiram no período mais recente, mas nada que não possa ser considerado normal como resultados da operação de um regime de câmbio flexível administrado.

 

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