Especulador também é gente!

 

O título deste post é, obviamente, uma brincadeira com uma idéia preconceituosa contra estes importantes agentes dos mercados financeiros: os especuladores. Talvez resquícios da condenação católica da usura. Mas o certo é que as pessoas, em geral por desinformação, torcem os narizes para os especuladores.

 Os mercados financeiros, em seus diversos segmentos, propiciam que os agentes que obtêm renda maior que seu consumo, num período de tempo, e portanto possuem capacidade de poupar, emprestem para aqueles que têm necessidades de recursos maiores que suas disponibilidades, sejam famílias, para financiar o seu consumo presente, sejam empresas, para financiar seus investimentos produtivos (aqueles destinados a produzir novos bens e serviços). Isto, claro, mediante uma compensação para os poupadores e um custo para os emprestadores, os juros. O governo pode estar em qualquer lado desses mercados, o nosso em geral está do lado dos emprestadores…

Vamos tratar mais de perto de um segmento específico dos mercados financeiros, o mercado de capitais, destinado a poupadores e investidores que têm, em geral, objetivos de realizar operações financeiras de longo prazo, como a emissão de ações e de títulos de dívida longos. Tais mercados são de elevado risco, exatamente por envolverem prazos maiores, sujeitos, assim, a maiores incertezas quanto ao futuro e por isso mesmo devem propiciar ganhos maiores que em outros mercados de menor risco.  Mais especificamente, quando uma empresa emite um novo lote de ações está vendendo partes da propriedade da empresa para financiar projetos de investimento produtivo (aquele que produz novos bens e serviços, como dissemos acima), quem compra este lote de ações são, inicialmente, instituições financeiras que formam o mercado primário, como bancos de investimento, por exemplo. A seguir, tais ações podem ser negociadas com outros investidores financeiros (os poupadores ditos acima) e começam a ser trocadas de mãos nos mercados secundários, as bolsas de valores. Tais operações visam obter ganhos com o diferencial de preço de compra e de venda, que reflete a avaliação por parte dos agentes sobre a lucratividade futura da empresa em questão e sobre pagamentos de dividendos futuros, desempenhando um importante papel na mensuração do valor dessas empresas.

 E onde entra o especulador?? Exatamente e principalmente neste momento.  Diferentemente do poupador, ou “investidor financeiro”, que dedica seus esforços de tempo e trabalho para gerar poupança a partir de outras atividades econômicas e busca nos mercados acionários uma rentabilidade média adequada ao risco, e que, portanto, está preocupado com a tendência geral ao longo do tempo do seu retorno, o especulador atua de forma dinâmica em tais mercados, buscando oportunidades de ganhos, às vezes no mesmo dia, ou em poucos dias, ao comprar um papel (uma ação) a um preço que considera baixo e vendê-lo quando o preço se elevar. Com isso o especulador propicia tanto liquidez, ou seja, volume de transações, ao mercado acionário quanto realiza a importante tarefa de fazer a contraparte em termos de expectativas. Explico: suponha que uma parte dos agentes acredite que o preço de uma ação vai cair e então façam ofertas de venda de tais ações no mercado, se não houver agentes que apostem na elevação no preço mais adiante, o preço cai cada vez mais (isso acontece mesmo, nos momentos de crise!), porém os especuladores podem assumir essa posição de compradores na baixa e vendedores na alta. Isso requer que os esforços de tempo e de trabalho de tais agentes, os especuladores, estejam voltados principalmente para esta atividade: obter ganhos financeiros. Um atividade tão honesta e importante quanto tantas outras… Requer também conhecimento teórico e prático de finanças, do funcionamento da economia, de estatística, de contabilidade, de história, etc.,  além de características de aptidão pessoal (trabalhar bem sob extrema pressão, por exemplo).

Será que se pode ensinar a alguém “a atividade de especulação?”. Tema para o próximo post

 

 

4 Respostas to “Especulador também é gente!”

  1. Livs Says:

    Muito interessante…relamente as pessoas têm muito preconceito com os “especuladores” – a palavra já nos soa pejorativa! Vou pensar agora de outro modo em quem tem essa profissão…quisera eu conseguir aprendê-la!

    • Roseli Silva Says:

      Claro, sempre há pessoas de má índole em todos os tipos de trabalho, mas no caso dos especuladores, costuma-se generalizar tal característica… Este post tem o intuito de desmistificar um pouco essa idéia! Legal que já fez efeito para vc!!!

  2. Rodrigo Takeuchi Says:

    Oi Roseli, excelente texto. To fazendo scalp no dólar futuro agora, e concordo plenamente com a importancia do especulador para dar liquidez aos mercados!!!

  3. Flaco Marques Says:

    A pejoratividade do termo pode ser relacionada a qualidade de “jogador” que esse tipo de agente tem. Operar no mercado secundário é como estar em um cassino. As apostas, digo, os investimentos, nem sempre são feitos de maneira tão científica quanto aparentam.


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