Belo compêndio das crises financeiras


Fui convidada a dar uma palestra para estudantes vestibulandos sobre crises financeiras e aproveitei a oportunidade para terminar a leitura de um livro bastante interessante, do qual pude aproveitar muitas informações e dados para a palestra. A obra referida intitula-se  “Oito séculos de delírios financeiros: desta vez é diferente” de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, ambos pesquisadores de primeira linha e com experiência prática, publicado este ano pela Elsevier. Um belo compêndio das crises financeiras, muito bem documentado por dados históricos e com o rigor necessário para uma obra de divulgação científica. Não precisa ser economista para ler, basta gostar do assunto e de leitura de tabelas e gráficos, que muitas vezes são deixados a falarem por si sós, como os próprios autores alertam.

Dois trechos que reporto resumem bem o que os leitores encontrarão:

“Se há um tema comum na ampla gama de crises que consideramos nesse livro, é a realidade de que acumulação de dívidas excessivas, por governos, bancos, empresas ou consumidores, em geral impõe riscos sistêmicos mais sérios do que se pensa durante os ciclos de prosperidade”

“Já vimos tudo isso antes. Os instrumentos de ganhos e perdas financeiras têm variado ao longo dos séculos, assim como os tipos de instituições, que muito se expandiram, apenas para ampliar a magnitude dos fracassos. Porém, as crises financeiras, no transcurso das eras, seguem um ritmo de prosperidade e recessão. Países, instituições e instrumentos financeiros podem mudar com o passar do tempo, mas a natureza humana continua a mesma.”

A tônica do livro é esta: busca desmistificar a síndrome do “dessa vez é diferente” que acomete a quase todos a cada nova crise financeira. Para isso, mostram recorrências que antecedem as crises inflacionárias e cambiais; as de inadimplência de dívidas soberanas; e as crises bancárias, associadas em geral a bolhas nos mercados de ativos reais (como o imobiliário, que antecedeu a última grande crise bancária de 2007-2008, que os autores denominam de Segunda Grande Contração – a primeira, é a crise de 1929). Finalizam o livro com a proposta de um conjunto de indicadores que poderiam auxiliar na compreensão de movimentos potenciais geradores de crises financeiras.

Recomendo a leitura!


Economista? Que bicho é esse?

13 de Agosto, neste ano, uma sexta feira – belo dia para ser nosso dia, não? Ainda bem que somos bastante racionais e não nos impressionamos com essas tolices de superstições… rs…

Em homenagem ao nosso dia, resolvi falar um pouco sobre a profissão de economista. Costumo fazer palestras sobre o assunto, em escolas de ensino médio e nos eventos da Instituição em que trabalho, que intitulo “Economista? que bicho é esse?”.

O Economista é um profissional que analisa e propõe soluções para problemas associados a escolhas de várias ordens: financeiras, produtivas, sobre alocação de recursos públicos, de tempo, sobre decisões de consumo, etc. Para identificar e analisar tais problemas, os Economistas têm um modo particular de pensar, um modo estruturado (para simplificar o todo complexo do mundo real), em que buscamos: caracterizar os fatores históricos, políticos e institucionais que afetam o problema; ressaltar as principais variáveis econômicas envolvidas;  hipotetizar relações entre elas a partir das teorias e modelos conhecidos; e obter observações reais (dados) para estas variáveis para que, se for o caso, possamos analisar o problema a partir de instrumentos estatísticos e fazer inferência sobre hipóteses de interesse.

Por que escolhas são fundamentais? Porque os recursos disponíveis são escassos e os desejos são ilimitados!

Com um forma estruturada de pensar, os economistas devem ser capazes de: IDENTIFICAR ALTERNATIVAS POSSÍVEIS; AVALIAR OS BENEFÍCIOS E CUSTOS DE CADA UMA DELAS; COMPARAR E CLASSIFICAR OS RESULTADOS; COMUNICAR E ARGUMENTAR DE FORMA CLARA E PRECISA SUA AVALIAÇÃO.

A formação de um economista envolve, então, conhecimentos de história, de métodos quantitativos e de teoria econômica, e a monografia de final de curso propicia a consolidação da formação:



Se gostou, procure mais informações, converse com economistas e conheça as muitas possibilidades de atividades em empresas públicas ou privadas, no setor de administração pública propriamente, além da Academia, que economistas podem desenvolver!


Inaugurando

 

Finalmente decidi, com a firmeza de convicção necessária, iniciar um blog – uma decisão parecida com aquelas de início de ano… Uma decisão difícil, preciso dizer, para quem ter por hábito e por força de profissão o cuidado com a língua pátria segundo a norma culta, o burilar de um texto por semanas, às vezes meses…

Isto aqui exige rapidez, despojamento, desapego e, principalmente, coragem para expor erros de toda sorte, humildade para corrigi-los quando descobertos ou apontados pelos leitores, ou mesmo um certo desleixo em deixá-los lá onde estão ainda que sabidos. Grande desafio!

Não pretendo trazer para este espaço discussões extremamente técnicas e/ou complexas em minha área de atuação, a Economia – para isso faço uso de outros fóruns. Ao contrário, quero aqui aperfeiçoar minha capacidade de falar sobre economia numa linguagem simples e acessível, até mesmo informal, permitindo-me emitir avaliações normativas – o que procuro não fazer em sala de aula – sobre os diversos temas tratados.

No entanto, Economia não é minha única paixão – sou uma pessoa de múltiplos interesses; o que torna quase impossível circunscrever a temática deste blog… Por isso o título, mais que adequado: Random Walk (Passeio Aleatório) -  um Passeio Aleatório por assuntos, notícias, temas que considero merecerem algum comentário, às vezes técnico, racional, às vezes amador, subjetivo…

Você saberá lendo!

Bem-vindos!!

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