Síndrome de quase fim de semestre

 

Não tem jeito, ela está de volta… uma ano fora das salas de aula e achei que seria suficiente para aplacar a minha síndrome de fim de semestre. Não foi. E pior: ainda nem corrigi as provas intermediárias!!

Minha síndrome aparece na forma de um desânimo e um cansaço em despender energia para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficiente, buscando formas mais adequadas de tratar os conteúdos, enfatizando o senso de continuidade dos temas abordados em aula, tentando inovações didáticas, etc, etc… Nada parece funcionar para que os estudantes compreendam seu papel no seu próprio processo de aprendizado: eles continuam lá, corpos presentes, mentes ausentes, como se aprendessem por osmose, raramente se dedicando àquilo que deles se espera – estudar, manter uma rotina do que eu chamo “horas-bunda de estudo”. Ok, você pode pensar que o problema não seja esse, que simplesmente a maior parte dos alunos (ou todos) opta por estudar outras disciplinas que não a minha, por motivos de afinidades pessoais com o conteúdo e/ou com o professor. É verdade. Isso pode acontecer, porém ainda não encontrei, em quase quinze anos de docência, um colega que me diga: “poxa, em média, essa turma estuda a minha matéria! participa das aulas fazendo questões interessantes (porque estudam antes da aula) e respondendo às questões que eu proponho, uma beleza!!”.

Sempre tenho longas conversas com alguns poucos colegas (de outras áreas) que se preocupam com o ensino e a formação dos estudantes, minha suspeita é a de que nosso sistema educacional forma robos passivos que vão às aulas esperando receber “cuspe e giz”. Pode até ser que seja, mas, poxa! no segundo ano de faculdade, com a idade e a experiência, já dá para começar a perceber que isso não funciona e que aprender depende mais de si do que do sujeito que está na frente da lousa!!

Até o final do semestre, minha síndrome se agrava e com certeza eu vou voltar aqui no papel de professora chata… rs

Felizmente, e porque minha decisão pela carreira docente é emocional e não racional, a cada nova turma eu recupero a esperança em que “dessa vez vai ser diferente”, afinal, estamos na Universidade de São Paulo, e se as coisas não melhorarem por aqui… enfim…

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O II Enbeco

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No ultimo dia 09 de março, encontramo-nos em Belo Horizonte, no Ibmec, para a realização do II Encontro Brasileiro de Blogueiros de Economia (Enbeco), organizado por Claudio Shikida e Cristiano Costa. No primeiro painel do evento, participaram os colegas Angelo Fasolo (The Duke of Hazard), Celso Toledo e Fabio Kanczuk (A Consciência de três Liberais), Drunkeynesian (Anônimo, mas não mais para os participantes do encontro!), que falaram sobre a crise do euro e o caso da Grécia, e concordaram que, após o ajuste da dívida grega, acabou a crise do euro, mas sem uninanimidade sobre a saída ou não da Grécia da zona do euro.

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No segundo painel, participamos eu, Thomas Kang (Oikomania) e Claudio Shikida. O tema era o uso dos blogs na sala de aula, eu iniciei o painel contando um pouco da minha experiência em usar o blog como repositório de textos sobre temas de macroeconomia e finanças, mas também como estratégia didática, com atividades que envolvem a participação ativa dos estudantes, conectadas a atividades em sala de aula e, obviamente, com avaliação e nota. Os colegas do painel contaram um pouco da história de seus respectivos blogs, mas sem um foco muito específico no tema. Num momento em que a internet ja vem revolucionando a educação, esse é um tema que não atrai os colegas professores de economia, aqui no nosso mundo – a maior parte vai mesmo na linha do “chalk and talk”… (veja esse post).

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O último painel contou com a participação de Cristiano Costa, Felipe Salto (Blog do Felipe Salto) e Fernando Meneguin (Brasil, Economia e Governo), tratando do tema fiscal, com a entusiasmada atuação do Cristiano, tentando chamar a atenção da platéia para o absurdo que é nossa estrutura tributária.

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Foi um encontro bastante divertido e informal, muito bem organizado, e que rendeu bons debates de idéias e, mais importante, a oportunidade para o público de conhecer um pouco mais das contribuições da blogosfera para a disseminação de informações e análises técnicas ou normativas sobre temas de economia.

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Obrigada a todos, patrocinadores, participantes e painelistas, e principalmente, ao Cláudio e ao Cristiano, pela organização do evento! 

Voltando à vida normal…

 

Preparando-me para regressar, reassumir minhas funções junto à Fearp/USP e voltar à rotina da vida normal… Se bem que não há muita rotina na vida de um acadêmico, e esse é um dos fatores que me fez escolher essa carreira: não sirvo para trabalho 9-às-6. Meu trabalho está sempre comigo, às vezes viro noites terminando o estudo de um artigo, às vezes passo dias estimando modelos econométricos, outras ainda escrevendo, escrevendo, escrevendo resultados e reflexões sobre minha própria pesquisa… Estas atividades solitárias, em período letivo, são recheadas pelo contato com a moçada, os estudantes – a cada semestre tornamos a mesma disciplina que eu já lecionei em algo dinâmico e diferente. Minha vida pessoal também não é caracterizada pela rotina, não conservei nem casa nem carro ao longo desse ano e nada material me espera em meu retorno… Só o carinho, o amor e a saudade imensa da família e amigos me esperam, ou seja, o que de fato importa na vida! 

Então, reformulo: Preparando-me para regressar, reassumir minhas funções junto à Fearp/USP e voltar à vida normal!

Tudo experimentado, vivido, aprendido ao longo desse ano, difícil em muitos aspectos, mas também prazeroso e estimulante em tantos outros, deixa marcas profundas em quem eu sou hoje e em quem serei daqui para frente. Nova York é uma cidade fantástica e me adaptei muito bem aqui, sou uma mulher de grandes metrópoles – fato. A Universidade de Columbia, um ambiente acadêmico de excelência, um tanto hostil, mas ainda menos que os nossos pretensos redutos do saber… as oportunidades de aprendizado que tive aqui são inestimáveis. Não volta a mesma Roseli, muito menos a mesma Professora Roseli… esta ainda mais cheia de ideias e, como sempre, muito preocupada com o ensino e as práticas didáticas, num momento em que os fundamentos da ciência econômica estão sob questionamento.

Ainda estou em dúvida sobre qual o momento mais difícil: aquele que antecedeu minha vinda, ou este, que antecede a volta. Estando nele, não sou capaz de julgar… mas é fato que o atual traz um elemento totalmente desconhecido para mim até então: o que essa nova Roseli vai achar daquela vida normal? Será que elas vão se entender bem? Será que a readaptação vai ser suportável? Será que a minha vida normal de antes também será outra a partir de agora?

Não sei as respostas. Já aprendi também que o medo do desconhecido, até certo ponto, é saudável… e que crescer, dói. Ainda assim sempre escolho os caminhos do crescimento. De resto… carpe diem!

 

 

Momento de Epifania

 

Sob um céu azul, com nuvens brancas daquelas que eu costumava passar horas observando quando muito menina, daquelas que viravam elefantes, coelhos, peixes… ah! Um centauro! Agora, um… um… uma… e mais alguns minutos, lá estava a fada de asas esvoaçantes… e… sumiu! Essas nuvens vieram me visitar ontem à tarde. Na verdade, eu que fui buscá-las, deitada na grama de um campo à beira de um trecho de lago, milimetricamente idealizados, campo e lago, por Olmsted and Vaux, como todo o Central Park, lá nos idos do século dezenove…

Olhando para cima, hipnotizada pela simples beleza de um céu azul, que brincava de esconde-esconde com as nuvens brancas, deixei-me ali parada, os pés descalços sobre a grama traziam uma sensação indescritível de liberdade para o todo. Em certos momentos acho mesmo que consegui nem pensar em nada. Nem em saudade (que é tanta), nem em contas e ajustes daqui e de lá nas finanças para fazer a vida acontecer, nem nos modelos de equilíbrio geral estocástico dinâmico, nem nas séries temporais, nem nos temporais em série que acometem meu coração vagabundo. Nada. Meditei, creio eu. Desse estado meditativo, que ao durar alguns minutos já me foi um grande feito, passei ao estado imaginativo fértil (menos estranho a mim): quem seria eu, onde eu estaria e o que estaria sentindo naquele exato momento se os sonhos da menina-que-gostava-de-nuvens tivessem se realizado? E se aquela fada de asas esvoaçantes tivesse balançado sua varinha de condão em minha direção? “Belo exercício de ficção” – pensei e nele embarquei. Nunca precisei de nada além da imaginação para viajar para os lugares, as eras, as fantasias que desejei. A menina queria ser escritora, quando ainda mal sabia escrever. Escrever era tão lindo… as letras juntas que formam coisas com tanto significado, e com uma força imperativa, permitiam expressar a revolução diária de todos nós… É certo que “pato” nada tem de especial, além de ser a primeira palavra que escrevi numa folha tirada de um caderno de uma das minhas irmãs, sentada no colo do meu pai, à mesa da cozinha, enquanto minha mãe preparava o jantar… Eles falavam sobre coisas que eu não compreendia, mas eu sentia que o clima não era bom… e eu escrevia, escrevia, escrevia as letras que minhas irmãs mais velhas me ensinavam em suas horas de brincar de escolinha comigo, eu, a aluna, sempre. Escrevia e lia. E nada fazia sentido… num certo momento mágico: “P-A-T-O… pato!!!! Pai, escrevi pato!!!”. Que felicidade!!! Momento de epifania. Meu pai olhou, leu “É mesmo filha, escreveu pato!” e voltou aos assuntos importantes com minha mãe, sem muita atenção àquela pequena alma esfuziante que parecia ter descoberto o mundo numa folha de papel. Mas esse pequeno momento de reconhecimento de minha “genialidade” nada precoce por parte do meu pai já me foi suficiente – sabemos o poder do pai. Felicidade infinita. Dali não parei mais de escrever. Escrevia sempre. Passava horas reescrevendo as estórias que lia ou ouvia – minha mãe havia nos presenteado com um conjunto de três livros de estórias, curtas e ilustradas, e três discos em que algumas delas eram narradas – eu me lembro da voz dos narradores até hoje. Escrevia tanto que faltava papel e os lápis iam ao limite do impossível. Depois… vieram os números… e eu me apaixonei por eles… Mas, tivesse eu sido escritora… acho que não seria muito diferente de quem sou hoje, talvez estivesse mesmo aqui e agora, em Nova Iorque, local mais que apropriado para uma alma cosmopolita como a minha, em retiro para escrever meu novo livro, aguardado com elevadas expectativas pelo leitores, fãs e críticos. Um livro que serviria para algo: bom entretenimento, com reflexões sobre a vida e a morte, o amor e o ódio, a paz e a guerra do cotidiano dos que não ignoram suas próprias existências. Nisso, sim, diferença fundamental entre a ficção e a realidade atual.

 

 

São os Americanos Libertários?

 

Assim que cheguei, lendo umas revistas que ficam sobre a mesa de jantar, deparei-me com um interessante artigo na New York do começo desse ano, intitulado “The Trouble with Liberty” (texto disponível aqui). Libertarianismo, segundo o artigo, é uma palavra longa e estranha para uma idéia simples e elegante: o governo deveria fazer o mínimo possível. Numa outra definição, que particularmente acho mais atraente, lemos: “ A Primer, Cato Institute executive vice president David Boaz defines it as “the view that each person has the right to live his life in any way he chooses so long as he respects the equal rights of others.”” (grifo meu)

O artigo argumenta que libertários, tanto à direita, quanto à esquerda, nunca estiveram tão próximos do poder como agora e ilustra posições de congressistas americanos sobre diversos temas, que vão da obrigatoriedade de que passageiros de aviões passem por um raio-X, por medida de segurança, a cortes no orçamento americano. Nessas posições, libertários à direita são, em geral, contrários a políticas intervencionistas, pacotes de estímulo à economia e reformas no sistema de saúde; à esquerda, as questões são outras, associadas a liberdades sociais, à não intervenção na vida privada de cada um, como por exemplo, restrições sobre com quem você se casa. Afirma também que não há idéia mais fundamental na história americana que a libertária e que um em cada dez americanos se auto-identifica como libertário – e esse numero pode estar crescendo:

“In a 2009 Gallup poll, 23 percent of Americans responded to questions about the role of government in a way that categorizes them as libertarian—up from 18 percent in 2000. A survey conducted by Zogby for the Cato Institute has put the libertarian vote at around 15 percent. Loosen the wording, and the pool expands. When the Zogby survey asked voters if they would describe themselves as “fiscally conservative and socially liberal, also known as libertarian,” the number rose to 44 percent. When it simply asked if they were “fiscally conservative and socially liberal,” a full 59 percent responded yes.”

Bem… com a ressalva de que desconheço a metodologia de tal pesquisa, os resultados são surpreendentes. Passei, então, a fazer eu própria  minha pesquisa, sem metodologia nenhuma, claro. Ou melhor, com uma mínima e arbitrária: quando encontro um autêntico americano nessa megalópole multicultural (pleonasmo, talvez) eu pergunto se se considera libertário. Comecei pela minha “landlady”, que não aceitou o rótulo porque o desemprego está muito alto e o governo precisa fazer algo… Já o senhor de bicicleta que parou e se ofereceu para tirar uma foto de mim, para mim, mesmo eu estando me ajeitando super bem com meu disparador automático no Central Park, e, claro, puxou papo (he was hitting on me… ?) logo se identificou como libertário, admirador de Milton Friedman e partidário do livre mercado. Por enquanto, está empatado!

Brincadeiras à parte, continuo recomendando a leitura do artigo.



What’s the dollar name in Brazil?

 

Hã?… What do you mean?

Com cara de quem não estava entendo lhufas, foi com essa outra pergunta que respondi à primeira. Qual o nome do dólar no Brasil? Como assim, cara-pálida?

Depois daqueles segundos em que me senti num outro planeta, compreendi a pergunta, simples, de uma americana de nível educacional médio: a atendente do banco em que fui abrir minha conta aqui (não vou dizer nomes nem no banco nem da simpática moça, por uma questão óbvia). Ela foi super solicita, me atendeu muito bem, abriu a conta e me passou as informações com clareza e até me deu dicas de restaurantes brasileiros na cidade… Mas, em meio a essa simpatia toda, ela me revelou um fato que me parece universal para o americano médio: eles acham que o resto do mundo usa o dólar como moeda, apenas mudando o nome… No fundo, no fundo, não estão totalmente errados… mas o ponto aqui é tratar moeda e dólar como sinônimos! A simpática atendente queria saber qual era a moeda em circulação no Brasil, o real – e achou graça no nome!

Mais interessante ainda: ela sabia que a moeda na Coréia (do Norte e do Sul) é o won, que na China é o yuan, no Japão, o yen… em nenhum momento ela falou em dólar japonês… E o que isso mostra? Que os orientais estão dominando tudo! Ela tem inúmeros clientes, estudantes de Ph.D. e Visiting Scholars em Columbia, vindos desses países, o que reforça o que já me é óbvio ululante andando pelas ruas do campus.

No mais, semana de Spring Break, sem atividades acadêmicas, além de minhas “horas-bunda” de estudo e pesquisa individuais e longas caminhadas pela cidade…


Workshop de econometria – ou será grego?

Atividades acadêmicas a todo vapor por aqui!

É muito bom poder voltar a ser estudante, andar à pé ou de metro (tem chovido bastante por aqui… e como venta nesta ilha!) – é… isso não é la muito bom, vai! Mas faz parte do pacote. Aliás, foi exatamente por essas possibilidades que decidi, há quase 5 cincos, sair da atuação em universidades privadas para a pública: não há nada mais prazeroso para mim que voltar a estudar, aprender coisas novas, conhecer o dia-a-dia de outra cultura, interagir com gente do mundo do todo! Entrar numa sala de aula e simplesmente ouvir, pensar, anotar e, às vezes, fazer perguntas (nunca dormir, bocejar descaradamente, ou entrar e sair a toda hora… )! E o mais: ali, na sua frente, explanando um tópico da matéria, um sujeito cujos artigos você lê desde que “se entende por gente” na área!! Fantástico!

Tenho frequentado os workshops de macroeconomia e de econometria, em que participam convidados de diversas universidades mundo à fora, e os colloquiuns dessas mesmas áreas. Nesses últimos, tenho me sentido bastante confortável, porque são apresentações dos artigos que comporão as teses dos estudantes de phd do departamento, então, embora o nível seja elevado, eu tenho acompanhado bem as discussões. O mesmo posso dizer do Money & Macro Workshop, coordenado pelos profs. Ricardo Reis (meu supervisor no programa) e Michael Woodford, que acontece às terças pela tarde, embora aqui realmente se discuta a fronteira da área, ainda tem sido bastante palatável.

Porém… Econometrics Workshop, coordenado pela prof. Serena Ng, que regularmente conta com a presença dos profs. Bernard Salanié e Jushan Bai… nossa! tem sido quase grego para mim! A discussão aqui é em nível avançadíssimo e teórico, claro. Para alguém que se pretende boa usuária da econometria apenas, como eu, é muito difícil entender o propósito dos artigos e muito menos o desenvolvimento deles. Para dar uma idéia, veja o título do último: “Cube-Root-N and Faster Convergence, Laplace Estimators, and Uniform Inference”… hã?? pareceu grego a certa altura da apresentação…


I Encontro Nacional de Blogueiros de Economia

 

Uma idéia muito bacana dos colegas Cristiano Costa, Claudio Shikida e Carlos Eduardo Gonçalves que eu apoio e divulgo, além de participar do painel temático “Os Blogs na Sala de Aula: A Disseminação de Conhecimento”, por meio de vídeo.

Para inscrições, acesse: http://www.surveymonkey.com/s/enbeco (há apenas 120 lugares disponíveis!)

Programa do Evento

 

Abertura (13:30)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

Painel Temático I (13:40)

O Papel dos Blogs no Debate sobre Política Econômica
Carlos Eduardo Gonçalves, Alexandre Schwartsman, Felipe Salto

Vídeo: Adolfo Sachsida

Coffee-Break (15:00)

 

Painel Temático II (15:10)

A Blogosfera e o Jornalismo Econômico: Complementares ou Substitutos?
Cristiano M. Costa, Leonardo Monasterio, Silvio Crespo, Thais Herédia
Vídeo: Rodrigo Constantino

Coffee-Break (16:20)

 

Instituto Millenium (16:35)

Painel Temático III (16:50)

Os Blogs na Sala de Aula:  A Disseminação do Conhecimento
Cláudio D. Shikida, Ronald Hillbrecht, Márcio Laurini, Mauro Rodrigues
Vídeo: Roseli Silva

Encerramento (18:00)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa



Restrospectiva Random Walk

 

Um pouco da história desse blog, para fechar o ano. A idéia inicial surgiu em outubro de 2009, incentivos não me faltavam, fã que sempre fui dos blogs do meu querido amigo Cláudio Shikida, dentre outros. Assim é que a data inaugural dele é aquela. Porém, foi a partir de fevereiro de 2010 que as atividades efetivamente se iniciaram, e hoje, temos:

Quase 7.800 visitas; 35 artigos; 15 categorias em que elenco os principais temas e 10 tags, que uso para expressar o “estado de espírito” do post. Os números são modestos para a grandiosidade da internet, mas estão de bom tamanho, tratando-se de um blog de uma professora de economia que não pauta sua conduta pela popularidade junto aos alunos (adoro eufemismos… rs).

Sem contar o acesso de lançamento dos posts, em que eles ficam na página de entrada, os campeões em acessos diretos são:

Ensinando Economia por meio de jogos em sala de aula, com 234 acessos;

PIB, o que é isso mesmo? Com 204 acessos;

Estudar Economia, com 203 acessos.

O post campeão está associado à matéria que ficou na capa do site da USP, sobre projeto de extensão e cultura realizado com uma colega em escolas públicas de Ribeirão Preto, no dia 22 de abril, o que rendeu o dia campeão de visitas: dia 23 de abril, com imbatíveis 130 visitas!

A porta de acesso mais importante para o blog é mesmo minha página acadêmica, em que divulgo cada post novo, e dela vieram 746 visualizações, seguida do twitter (156), o que mostra que o esforço vale a pena, pois o blog tem servido de comunicação adicional com meus próprios pupilos, que são os que acessam regularmente minha página acadêmica.

E, para finalizar, adivinhem qual é o termo de motor de busca que mais levou os internautas ao meu blog?? Random walk, com mais de 200 buscas!

Como este é o último post do ano, aproveito para desejar a todos um 2011 esplendoroso!! Como inspiração, reproduzo um Fernando Pessoa que adoro:

“Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”


Mulher – nem melhor, nem pior: diferente

 

Mulheres, homens, guerra dos sexos, desigualdades de gênero, sexo forte, sexo frágil, e afins… Assuntos que nunca me interessaram até certo momento da minha vida. Achava eu, na inocência que se permite à juventude, que não seria o fato de ser mulher ou homem que faria diferença na minha vida profissional, em minha atuação na sociedade – bastaria o mérito, a eficiência, a capacidade para esta ou aquela atividade e pronto! Só dependeria de mim!

 

Claro, essa ilusão não durou muito (talvez tenha durado mais do que deveria)… aos poucos e a duras penas, aprendi que recorrentemente precisaria comprovar muito mais qualificação para alcançar o respeito e o reconhecimento que é quase natural à média dos homens, em termos profissionais e sociais. E aprendi que teria de aceitar salários menores e dificuldades específicas no acesso a cargos mais elevados, à progressão na carreira, por ser mulher. Na academia científica não é diferente: reproduzem-se as discriminações de gênero (não só, infelizmente) que se encontram na sociedade. E isso cansa, exige energia e atenção contínuas.

 

Sem pretensão alguma de discutir o assunto do ponto de vista neurológico, psicológico ou mesmo social, aqui registro apenas minhas impressões. Como mulher, reconheço diferenças de gênero. Minha percepção do mundo é a feminina, minha lógica de apreensão dos fatos e de respostas a eles, minha forma de dialogar, discutir e buscar soluções comuns me parecem diferentes da masculina. Nem melhor, nem pior: diferente, não desigual.

 

Abomino desigualdades de toda sorte. Discriminar é tratar como desigual.

 

Assim, a eleição da primeira mulher para o cargo mais importante da nação lança uma luz no fim do túnel, planta uma semente de esperança para as gerações futuras de brasileiras: “Sim, a mulher pode!”

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