II Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia

 

Muito feliz em participar do II Enbeco ao vivo e em cores dessa vez, já que ano passado só pude participar por vídeo (veja aqui).

Parabéns aos colegas Cristiano Costa e Cláudio Shikida pela organização do evento!

Participem e divulguem!

Programa-ENBECO-II

Desemprego nos Estados Unidos

 

Há alguns dias, Paul Krugman (o verdadeiro, claro, e não aquele meu ex-aluno reprovado por falta!!), em sua coluna no New York Times reforçou mais uma vez o coro (pequeno, é certo) das vozes que tentam trazer o combate ao desemprego para o centro do debate político nos Estados Unidos, novamente. Chamou de o “erro de 2010″ o estímulo pequeno e por um período curto realizado em 2009 pelo governo americano, insuficiente para sustentar a rota de retomada pós-crise financeira. Ainda no início de 2010, continua ele, era possível notar que os efeitos do estímulo já estavam desaparecendo e, ainda assim, o debate político encabeçado pela direita e apoiado por muitos experts se voltava para a necessidade de controlar o déficit fiscal, considerado, então, o inimigo público n° 1.

A taxa de desemprego americana voltou a patamares do início da década de oitenta, anos de forte recessão como efeito da política monetária contracionista da década anterior que objetivou debelar o processo inflacionário (a estagflação da década de setenta). Porém, a recuperação foi relativamente rápida. O gráfico abaixo ilustra o comportamento da taxa de desemprego americana até o momento:

Em 2009, o desemprego alcançou 9,3% da força de trabalho e 9,6% em 2010. As estimativas do Fundo Monetário para os anos seguintes (8,5% e 7,7% para 2011 e 2012, respectivamente) não são nada animadoras e prenunciam um custo social muito mais elevado para a sociedade que muitos parecem não querer enxergar. 

Para abafar as possíveis vozes em favor de políticas eficientes contra o desemprego, talentos são execrados do centro de comando da economia americana. Peter Diamond desabafa, também no New York Times, que, para os Republicanos, “um prêmio Nobel não é suficiente“. Afinal, segundo um senador republicano ““Does Dr. Diamond have any experience in conducting monetary policy? No,” he said in March. “His academic work has been on pensions and labor market theory.” ”.

Ignorância ou má-fé? Ou ambas? 

Concordo com P. Diamond:

“In reality, we need more spending on some programs and less spending on others, and we need more good regulations and fewer bad ones.

Analytical expertise is needed to accomplish this, to make government more effective and efficient. Skilled analytical thinking should not be drowned out by mistaken, ideologically driven views that more is always better or less is always better.

O debate político americano parece equivocado e em defesa dos rentiers (mais uma pitada de Krugman aqui). E mesmo numa cidade dinâmica como New York os efeitos são visíveis: em geral homens, aparentemente na faixa etária dos 45-55 anos, desempregados e com seus “cartazes-história” pedem ajuda nas ruas, nos metros, e, envergonhados, desculpam-se por precisar fazer isso. Triste e preocupante.

Reinhart: alertando sobre o endividamento dos países desenvolvidos

Nesta última segunda-feira, Carmen Reinhart foi entrevistada pelo jornal Folha de São Paulo (veja aqui), e repetiu a conferência que fez aqui em Columbia duas semanas antes. Os principais argumentos e resultados mais recentes estão em seu artigo, também com Kenneth Rogoff, intitulado “A Decade of Debt”, que pode ser encontrado em sua homepage (aqui), em que também disponibiliza TODOS os dados do livro, sobre o qual já falamos aqui.

Recomendo a leitura do artigo. Para instigar…

"Public debts in the advanced economies have surged in recent years to levels not recorded since the end of World War II, surpassing previous peaks reached during
the First World War and the Great Depression"

I Encontro de Blogueiros, participação por vídeo

 

O “I Encontro de Blogueiros de Economia” aconteceu na última sexta-feira, dia 25/03, na FEA-USP, e pelo que os colegas escreveram em seus blogs, parece ter sido um sucesso!

Cláudio Shikida, o homem do microfone, faz um resumo do evento (clique aqui) e Cristiano Costa já anuncia o II Encontro para 2012 em BH (aqui) – deste eu quero participar pessoalmente, principalmente do animadíssimo 4° Painel, conforme mostrou Alex.

Como eu falei demais, pedi ao Cristiano que editasse para o dia do evento! Minha participação no painel sobre “Os Blogs na Sala de Aula”, pode ser vista aqui, na íntegra:

 


São os Americanos Libertários?

 

Assim que cheguei, lendo umas revistas que ficam sobre a mesa de jantar, deparei-me com um interessante artigo na New York do começo desse ano, intitulado “The Trouble with Liberty” (texto disponível aqui). Libertarianismo, segundo o artigo, é uma palavra longa e estranha para uma idéia simples e elegante: o governo deveria fazer o mínimo possível. Numa outra definição, que particularmente acho mais atraente, lemos: “ A Primer, Cato Institute executive vice president David Boaz defines it as “the view that each person has the right to live his life in any way he chooses so long as he respects the equal rights of others.”” (grifo meu)

O artigo argumenta que libertários, tanto à direita, quanto à esquerda, nunca estiveram tão próximos do poder como agora e ilustra posições de congressistas americanos sobre diversos temas, que vão da obrigatoriedade de que passageiros de aviões passem por um raio-X, por medida de segurança, a cortes no orçamento americano. Nessas posições, libertários à direita são, em geral, contrários a políticas intervencionistas, pacotes de estímulo à economia e reformas no sistema de saúde; à esquerda, as questões são outras, associadas a liberdades sociais, à não intervenção na vida privada de cada um, como por exemplo, restrições sobre com quem você se casa. Afirma também que não há idéia mais fundamental na história americana que a libertária e que um em cada dez americanos se auto-identifica como libertário – e esse numero pode estar crescendo:

“In a 2009 Gallup poll, 23 percent of Americans responded to questions about the role of government in a way that categorizes them as libertarian—up from 18 percent in 2000. A survey conducted by Zogby for the Cato Institute has put the libertarian vote at around 15 percent. Loosen the wording, and the pool expands. When the Zogby survey asked voters if they would describe themselves as “fiscally conservative and socially liberal, also known as libertarian,” the number rose to 44 percent. When it simply asked if they were “fiscally conservative and socially liberal,” a full 59 percent responded yes.”

Bem… com a ressalva de que desconheço a metodologia de tal pesquisa, os resultados são surpreendentes. Passei, então, a fazer eu própria  minha pesquisa, sem metodologia nenhuma, claro. Ou melhor, com uma mínima e arbitrária: quando encontro um autêntico americano nessa megalópole multicultural (pleonasmo, talvez) eu pergunto se se considera libertário. Comecei pela minha “landlady”, que não aceitou o rótulo porque o desemprego está muito alto e o governo precisa fazer algo… Já o senhor de bicicleta que parou e se ofereceu para tirar uma foto de mim, para mim, mesmo eu estando me ajeitando super bem com meu disparador automático no Central Park, e, claro, puxou papo (he was hitting on me… ?) logo se identificou como libertário, admirador de Milton Friedman e partidário do livre mercado. Por enquanto, está empatado!

Brincadeiras à parte, continuo recomendando a leitura do artigo.



I Encontro Nacional de Blogueiros de Economia

 

Uma idéia muito bacana dos colegas Cristiano Costa, Claudio Shikida e Carlos Eduardo Gonçalves que eu apoio e divulgo, além de participar do painel temático “Os Blogs na Sala de Aula: A Disseminação de Conhecimento”, por meio de vídeo.

Para inscrições, acesse: http://www.surveymonkey.com/s/enbeco (há apenas 120 lugares disponíveis!)

Programa do Evento

 

Abertura (13:30)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa

Painel Temático I (13:40)

O Papel dos Blogs no Debate sobre Política Econômica
Carlos Eduardo Gonçalves, Alexandre Schwartsman, Felipe Salto

Vídeo: Adolfo Sachsida

Coffee-Break (15:00)

 

Painel Temático II (15:10)

A Blogosfera e o Jornalismo Econômico: Complementares ou Substitutos?
Cristiano M. Costa, Leonardo Monasterio, Silvio Crespo, Thais Herédia
Vídeo: Rodrigo Constantino

Coffee-Break (16:20)

 

Instituto Millenium (16:35)

Painel Temático III (16:50)

Os Blogs na Sala de Aula:  A Disseminação do Conhecimento
Cláudio D. Shikida, Ronald Hillbrecht, Márcio Laurini, Mauro Rodrigues
Vídeo: Roseli Silva

Encerramento (18:00)

Carlos Eduardo Gonçalves , Cláudio D. Shikida, Cristiano M. Costa



Empíricos x teóricos na política monetária

 

Lendo o New York Times de domingo, deparei-me novamente com o tema de minha pesquisa atual, agora, em artigo de Cristina Romer, intitulado “The Debate That´s Muting the Fed´s Response” (disponível online aqui).

Já havia tratado do tema num posto anterior (Macroeconomia Moderna – convergência metodológica) e o interessante a notar, agora, são as vozes americanas engrossando o coro dos “empíricos”. Não é para menos, uma vez que o desemprego tem se mantido elevado, em torno de 9%. Todos concordam que está bem acima da taxa natural de desemprego, seja lá qual seja tal taxa, e muitos economistas clamam por política monetária mais efetiva, no curto prazo, como é o caso de C. Romer – ações diretas, além do “quantitative easing” que vem sendo implementado pelo FED.

Como já disse anteriormente,  restam muitas questões em aberto e que necessitam ser exploradas, tanto em relação à adequação de modelos teóricos às características próprias de economias emergentes, quanto à aderência empírica de tais modelos, mesmo para as economias desenvolvidas – que, afinal, se não nos ajudam a compreender as regularidades observadas, podem ser um meio pouco útil de análise de política econômica, e monetária especificamente.

Recomendo a leitura do artigo, independente de que lado do debate você esteja!



Mais alternativas ao “cuspe e giz”

 

Publicamos uma resenha bibliográfica* com o intuito de chamar a atenção para a importância das discussões sobre didática no ensino de economia, e aproveito, novamente, para trazer o tema aqui, reproduzindo o início dela e indicando a referência completa:

O objetivo geral do livro é facilitar o trabalho de economistas acadêmicos que querem encontrar novas maneiras de ensinar economia. Para tanto, apresenta e discute técnicas didáticas alternativas ao método tradicional de ensino, popularmente conhecido como “cuspe e giz”, que propiciem uma maior eficiência no processo de ensino-aprendizagem, engajando os estudantes de maneira efetiva. No prefácio da obra, os editores, William Becker, Professor de Economia da Universidade de Indiana e editor do Journal of Economic Education, Michael Watts, Professor de Economia do Centro para Educação Econômica, da Universidade de Purdue e Editor Associado do Journal of Economic Education, e Suzzane Becker, Editora Assistente do Journal of Economic Education, afirmam que os livros sobre ensino de economia estão na moda e que eles (W. Becker e M. Watts) anteciparam esta tendência ao publicarem em 1998, pela mesma editora, o primeiro volume do atual trabalho, esclarecendo que o volume de que trata esta resenha não é uma nova edição do anterior, mas, sim, um sequência, por trazer extensões e novos colaboradores, assim como uma atualização de tópicos tratados anteriormente, mas agora escritos por outros autores, dentre os quais Avinash Dixit, Willian Greene e Peter Kennedy.

O livro é composto por onze capítulos que tratam explicitamente do uso de novas técnicas didáticas, principalmente voltadas para introduzir os princípios básicos de economia seja para carreiras outras, seja para os primeiros cursos da formação do economista. Uma ênfase bastante grande é dada à aplicação de jogos que, além de ser o foco explícito do terceiro capítulo, também aparece no capítulo primeiro dedicado ao ensino de teoria dos jogos, bem como no quinto capítulo, que trata de técnicas de aprendizado ativo. O quê e como ensinar princípios de macroeconomia moderna com rigor de pensamento, mas dispensando o aparato algébrico e gráfico, é a discussão apresentada no capítulo sexto. O estudo de métodos quantitativos pode ser motivado por meio dos trabalhos dos laureados com Prêmio Nobel de economia, e o décimo capítulo trata deste tema. O livro se encerra com um capítulo sobre métodos de avaliação do aprendizado, que, afinal, também fazem parte da metodologia didática adotada pelo professor. Destacamos como pontos fortes da obra as referências bibliográficas específicas para cada capítulo e a praticidade da lista de dicas, denominada “do´s and don´ts” que trazem indicações importantes e iluminam o caminho dos que se aventurarem a inovar aplicando algumas das técnicas propostas no livro. A exposição das experiências didáticas de diversos autores é, ao mesmo tempo, interessante, mas implica sobreposição parcial de conteúdo em alguns capítulos, o que torna a leitura menos produtiva e pode ser apontada como um ponto fraco da obra.”

 

* Silva, R.; Batista-Ferreira, N.N. “Resenha Bibliográfica: BECKER, William E.; WATTS, Michael; BECKER, Suzzane R. (Ed.). Teaching Economics: more alternatives to chalk and talk. Cheltenham-UK: Edward Elgar Publishing Limited, 2006. 225 p.¨ Estudos Econômicos, v. 40, n. 4, P. 967-973, outubro-dezembro 2010.


Sugestão de leitura para as férias

 

Ao longo do ano passado, sugeri algumas leituras, principalmente para os que gostam de finanças. Como estamos em tempo de férias escolares, é uma boa hora para resgatarmos as recomendações! Fique à vontade para fazer as suas, comentando este post!

A primeira recomendação, no post intitulado “Lição de empreendedorismo: crise x oportunidadesjuntou algumas de minhas paixões: ópera, história e finanças, no livro de Sérgio Casoy, “A Invenção da Ópera ou A História de um Engano Florentino” , uma aula prática sobre o “espírito animal” dos empreendedores.

Ainda no mês de março, no post “A auto-ajuda da especulação“, apresentei algumas observações sobre um clássico dessa área: “Os Axiomas de Zurique”, de Max Gunther. Termino o post lembrando que a atividade de especulação pode se servir de conhecimentos científicos, métodos econométricos, etc, mas isso não basta… Há requisitos de personalidade importantes envolvidos nessa atividade.

Para fazer um contraponto, o post “Sucesso e fracasso revisitados” ressalta a perspectiva diferenciada de “Fora de série: Outliers“, de Malcolm Gladwell, em que o papel do legado cultural e de outros aspectos, como o  momento histórico e as oportunidades alcançadas  tanto pelo próprio esforço quanto pela pura sorte, são determinantes no sucesso em qualquer atividade.

Mais recentemente, li e recomendei “Oito séculos de delírios financeiros: desta vez é diferente” de Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, um excelente compêndio das crises financeiras, incluindo a recente crise de 2007-2008, muito bem documentado por dados históricos e com o rigor necessário para uma obra de divulgação científica. O post leva exatamente o título “Belo compêndio das crises financeiras“.

Boa leitura!


Eficiência relativa nos mercados futuros

 

A hipótese de eficiência de mercado tem origens bastante remotas, mas se consolidou na forma em que é debatida até hoje a partir do trabalho de Fama(1970). Conforme tal hipótese, mercados eficientes são aqueles em que os preços refletem completamente as informações disponíveis. São caracterizados por um grande número de pessoas bem informadas, cujas decisões de compra e venda exercem rápida influência sobre os preços.

Fama (1970) classifica a eficiência em três tipos: fraco, semiforte e forte. Sob eficiência fraca, supõe-se que todas as informações relevantes já estejam incorporadas no preço à vista e, portanto, os preços passados não seriam úteis para previsão. Essa forma de eficiência corresponde à hipótese de passeio aleatório para os ativos financeiros (veja a página Random Walk???). Já a eficiência semiforte engloba, além das características do tipo fraco, a suposição de que todas as demais informações públicas também já estejam refletidas no preço à vista. Os preços à vista, sob eficiência forte, passariam a refletir, além dos conjuntos de informações anteriores, também informações privadas ou privilegiadas.

A hipótese de eficiência já foi amplamente avaliada para o mercado acionário, principalmente considerando-se os testes de passeio aleatório. Muitos trabalhos também abordam o tema no mercado de commodities, e suas conclusões, em geral, divergem da que Fama encontrou para o mercado acionário americano.

Em uma pesquisa com um ex-aluno do mestrado, testei a hipótese de eficiência relativa dos mercados futuro e à vista (spot) de açúcar, para dois horizontes de previsão, em contraposição à hipótese de arbitragem de commodities. Em linhas gerais, as evidências empíricas encontradas suportam a adequação da metodologia de cointegração para análise de eficiência relativa nos mercados de açúcar, em contraposição à hipótese de arbitragem e geram evidências fracas de ineficiência, resultados sujeitos à hipótese de estacionariedade do custo de carregamento (exceto pelo componente taxa de juros, que foi explicitamente testado para estacionariedade).

Quem tiver interesse, está para sair do forno:

Silva, R.; Takeuchi, R. “Mercados Futuro e à Vista de Açúcar: uma análise empírica de eficiência versus arbitragem“.  RESR, Piracicaba, SP, vol. 48, nº 02, p. 307-330, abr/jun 2010.



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