Começando a atividade de Finanças I

 

Hoje inicio postagens dos resumos do livro “How we decide”, de Jonah Lehrer, feitos pelos estudantes de Finanças I. Divididos em grupos de até cinco pessoas, devem ler e sintetizar capítulos do livro e, ao final, faremos uma apresentação geral de todos os grupos em sala de aula para consolidar as ideias principais e o aprendizado que a leitura propiciou.  

A ideia é que esta atividade conte com comentários de todos, e que tenhamos aqui, via Blog, uma ambiente informal e descontraído (e, claro, respeitoso) para debates e expressões de opiniões, para, assim, entendermos melhor o papel dos modelos econômicos que embasam a moderna teoria de finanças e, principalmente, suas limitações na compreensão dos fatores que influenciam a tomada de decisão.

Cada post com essa finalidade terá o título “Como decidimos? Part x” e será transcrito aqui tal qual enviado pelo grupo, com aspas e itálico para marcar a citação literal, ok? Os resumos, a julgar pelo conteúdo do enviado pelo primeiro grupo, serão maiores que o tamanho médio dos posts que eu produzo, mas ainda assim resolvi postá-los integralmente, e não em trechos menores, como havia pensado originalmente, para evitar confusões e perda de fluidez na leitura.

Vamos lá! Boa atividade a todos!!

 

 

 

Primeiras aulas de macro…

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Você se lembra das suas? Eu me lembro das minhas… como estudante, eu digo! Começar a estudar macroeconomia é sempre estimulante, a gente acha que vai entender tudo de tudo aquilo que passa na TV sobre inflação, desemprego, taxas de juros e câmbio, exportações, fluxo de capitais, crises financeiras, etc, etc, etc… E, de certa forma, é verdade! 

Por que de certa forma? Porque o início desse processo de aprendizado todo está aí, de fato, nas primeiras aulas de macro, que se torna realmente interessante, no sentido de nos propiciar compreensão das economias contemporâneas, alguns semestres mais tarde, quando o funcionamento de economias abertas é estudado e as relações internacionais em termos de bens e de capitais são explicitamente trazidas para o instrumental de análise, além de aspectos mais modernos do desenvolvimento teórico como o regime de metas de inflação e o papel da credibilidade e das instituições na macroeconomia. 

Assim, tenhamos paciência… e saibamos que dificilmente se alcança o conhecimento mais complexo sem dar os passos básicos. Uma base bem consolidada é a fonte para uma caminhada mais tranquila rumo aos avanços futuros! Além disso,  como também alertei os alunos, é também muito importante reconhecer os limites daquilo que se estuda, saber para o que não serve determinada teoria ou modelo. Porém, ainda assim, esse raciocínio básico de macro já ajuda a dar os primeiros passos no mundo real, como Paul Krugman nos mostra neste post ou neste (vale a pena ler…)

Tenho pensado em como realizar com os estudantes de Macro I atividades interativas, com o uso mais efetivo do blog como instrumento didático, mas ainda não consegui pensar em nada que me pareça factível (tal como a atividade que realizaremos em Finanças). Um dos alunos me sugeriu que tal atividade utilizasse notícias sobre macroeconomia nacional ou internacional, achei ótima a ideia, mas acredito que, por ser um curso bastante básico, poderíamos ter mais confusões do que aprendizado efetivo. E, como também já alertei meu alunos desse semestre, é muito fácil um estudante novato no ramo achar que macroeconomia é “embromation”, ou apenas seu juízo de valor sobre os fatos, e inventar o que eu costumo chamar de “macroeconomia da minha cabeça”… Acontece muito em provas: o estudante preenche páginas de texto usando conectivos conclusivos (portanto, assim, logo… ) e traça um emaranhando sem nexo de raciocínios falaciosos (para ser simpática… rs).

Se você, estudante ou não dessa disciplina, tem uma sugestão de atividade, deixe seu comentário! Agradeço!

 


Voltando à vida normal…

 

Preparando-me para regressar, reassumir minhas funções junto à Fearp/USP e voltar à rotina da vida normal… Se bem que não há muita rotina na vida de um acadêmico, e esse é um dos fatores que me fez escolher essa carreira: não sirvo para trabalho 9-às-6. Meu trabalho está sempre comigo, às vezes viro noites terminando o estudo de um artigo, às vezes passo dias estimando modelos econométricos, outras ainda escrevendo, escrevendo, escrevendo resultados e reflexões sobre minha própria pesquisa… Estas atividades solitárias, em período letivo, são recheadas pelo contato com a moçada, os estudantes – a cada semestre tornamos a mesma disciplina que eu já lecionei em algo dinâmico e diferente. Minha vida pessoal também não é caracterizada pela rotina, não conservei nem casa nem carro ao longo desse ano e nada material me espera em meu retorno… Só o carinho, o amor e a saudade imensa da família e amigos me esperam, ou seja, o que de fato importa na vida! 

Então, reformulo: Preparando-me para regressar, reassumir minhas funções junto à Fearp/USP e voltar à vida normal!

Tudo experimentado, vivido, aprendido ao longo desse ano, difícil em muitos aspectos, mas também prazeroso e estimulante em tantos outros, deixa marcas profundas em quem eu sou hoje e em quem serei daqui para frente. Nova York é uma cidade fantástica e me adaptei muito bem aqui, sou uma mulher de grandes metrópoles – fato. A Universidade de Columbia, um ambiente acadêmico de excelência, um tanto hostil, mas ainda menos que os nossos pretensos redutos do saber… as oportunidades de aprendizado que tive aqui são inestimáveis. Não volta a mesma Roseli, muito menos a mesma Professora Roseli… esta ainda mais cheia de ideias e, como sempre, muito preocupada com o ensino e as práticas didáticas, num momento em que os fundamentos da ciência econômica estão sob questionamento.

Ainda estou em dúvida sobre qual o momento mais difícil: aquele que antecedeu minha vinda, ou este, que antecede a volta. Estando nele, não sou capaz de julgar… mas é fato que o atual traz um elemento totalmente desconhecido para mim até então: o que essa nova Roseli vai achar daquela vida normal? Será que elas vão se entender bem? Será que a readaptação vai ser suportável? Será que a minha vida normal de antes também será outra a partir de agora?

Não sei as respostas. Já aprendi também que o medo do desconhecido, até certo ponto, é saudável… e que crescer, dói. Ainda assim sempre escolho os caminhos do crescimento. De resto… carpe diem!

 

 

European Safe Bonds: uma solução viável?

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A crise da dívida na zona do Euro tem sido um dos principais assuntos na mídia internacional nos últimos meses. Não vou ficar chovendo no molhado, aqui. Mas, assistindo a um painel sobre o assunto promovido pelo Program for Economic Research de Columbia Economics, há cerca de duas semanas, que teve como participantes Richard Clarida (columbia Economics), Ricardo Reis (Columbia Economics) e Charles Calomiris (Columbia Business School), algumas perspectivas interessantes sobre o assunto foram debatidas, dentre elas a proposta de criação dos European Safe Bonds (ESBies), defendida por Ricardo Reis.

Clarida foi o primeiro a falar e se posicionou muito contrariamente às “exigências absurdas” da Alemanha para que Grécia, Espanha, Itália e Irlanda absorvam, por meio de seus governos, as dívidas de seus bancos a fim de evitar uma crise bancária sem precedentes, que se espalharia como fogo pelo sistema bancário europeu, uma vez que alemães e franceses são os principais detentores de tais dívidas.

Calomiris (ele é muito bem-humorado e distribuiu um instigante texto de 9 páginas que pode ser encontrado aqui) argumenta que a saída para a Grécia é mesmo o calote e a reestruturação da sua dívida, para o quê necessita, sim, deixar a zona do euro. Em sua avaliação, os países em crise apresentam três distintos problemas que requerem diferentes respostas de política econômica: 1) sobre-endividamento; 2) elevados déficits acompanhados de sobre-endividamento; e 3) perda de competitividade; – a Grécia conjuga os três, por isso requer tratamento emergencial. E Portugal vai no mesmo caminho… Já Irlanda e Espanha parecem não estar em rota de insolvência fiscal, principalmente se não absorverem as dívidas externas de seus bancos locais. E para ele, a Itália poderia resolver rapidamente o problema de sustentabilidade da dívida (sobre esse assunto, veja esse post) se cortasse gastos fiscais, mas isso parece pouco provável pois está politicamente quebrada. O final de seu texto não é muito animador: os governos preferem postergar medidas impopulares e o resultado provável será uma sequência caótica de medidas emergenciais e ad hoc, pouco coordenadas, tomadas em resposta às corridas aos bancos na Grécia ou em outro lugar, conforme depositantes desconfiem da conversibilidade de seus depósitos.

Ricardo Reis apresenta uma saída interessante e baseada nos mercados financeiros no lugar dos governos, propondo a criação de um ativo seguro para a e zona do euro, os ESBies. Essa proposta se consolidou a partir dos estudos e discussões de um grupo de economistas europeus (macroeconomistas e economistas financeiros)  que se reuniu no grupo denominado Euro-nomics e que tem como objetivos “systematically identify the weaknesses of the Eurozone design that have caused this crisis and propose remedies to end it”, nas palavras do próprio. O argumento principal para a proposta é que o mercado de dívidas soberanas da eurozona é fragmentado, e vem sendo tratado na última década como se todas as dívidas tivessem o mesmo grau de risco, o que, de certa forma, propiciou o fácil e crescente endividamento dos países que hoje se mostram insustentáveis. Além disso, tal fragmentação não propicia que os títulos europeus façam face aos títulos do tesouro americano, que, assim, ganham espaço como referência global de ativo livre de risco. A operacionalização da proposta exigiria a criação de uma nova instituição européia, a European Debt Agency(EDA), que desmembraria o portfólio das dívidas soberanas dos países membros em duas partes, os ESBies propriamente, que funcionaria como ativo livre de risco, e um “título junior” (junior claim??) que absorveria as possíveis perdas do conjunto de títulos, podendo servir como meio de investimento ou especulação de curto prazo.

A proposta é ousada e requer todo um esforço de institucionalização complexo, mas não impossível, em minha opinião. Porém, quanto mais a eurozona se afundar no prognóstico de Calomiris, mais difícil e custosa será a implementação de tal proposta. 

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“Não entendi o enredo desse SAMBA, amor…”

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Embora possa parecer pelo título deste post, esta não é mais uma tentativa de escrever sobre deus-e-sua-era como em post anterior, ainda que ela sempre esteja aberta e anunciada no próprio título do blog. Reconhecidamente, não tenho o talento e as “horas-bunda” (leia-se experiência vivenciada) de alguns colegas de profissão, como Eliana Cardoso, para fugir muito dos temas de economia, ainda. Voltemos a eles.

A menção à frase do samba composto por Jorge Aragão e Dona Ivone Lara destaca a palavra SAMBA como uma sigla. Como tem sido divulgado recentemente pela mídia, essa sigla nomeia o mais novo modelo de avaliação de políticas econômicas desenvolvido pelo Banco Central do Brasil (BCB), o Stochastic Analytical Model with a Bayesian Approach (SAMBA), nos moldes dos que têm sido adotados por bancos centrais no mundo todo ao longo da última década.

Para os que acompanham o Random Walk, isso não era novidade, pois o tema já foi tratado em,  Macroeconomia Moderna: convergência metodológica. A novidade é a divulgação em abril último, em forma de working paper, do SAMBA (veja aqui). A versão anterior, datada de setembro de 2008 circulou em meios restritos como trabalho para discussão em seminários e workshops de bancos centrais e apresentava ainda muitos problemas. A nova versão, em um calhamaço de 138 páginas (como divulgou recentemente o Estadão) está bem mais consistente em termos de representação da estrutura da economia brasileira. Eu tenho me debruçado sobre ela deste então… 

Os modelos da classe DSGE (Dynamic Stochastic General Equilibrium), à qual pertence o SAMBA, apresentam duas características que podem justificar sua vantagem em relação aos macroeconômicos tradicionais, mais agregados: a primeira delas é que, em contraste com esses, é possível, dada uma correta especificação dos parâmetros da economia, utilizar os modelos DSGE para fazer previsões válidas e avaliar os impactos de mudanças de políticas econômicas, considerando a reação dos agentes a essas mudanças (livres da crítica de Lucas); e a segunda característica é o aumento na precisão das previsões que esses modelos propiciam.  

Eu tenho três pontos centrais de trabalho com tais modelos: 1. sua sensibilidade à escolha de parâmetros, e estou preparando minhas próprias estimativas dos parâmetros principais da economia brasileira para efeitos de comparação; 2. a capacidade do modelo em reproduzir as respostas empíricas, verificadas por meio da análise econométrica dos dados, grande calcanhar de Aquiles dos modelos estocásticos de equilíbrio geral, que vem sendo recentemente solucionada com a introdução de fricções financeiras nos modelos, e; 3. a sensibilidade dos resultados gerais à suposição de diferentes regras fiscais.

Claro… trabalho para mais de um ano! Por enquanto, estou “catando” os bugs (infinitos…) da primeira versão do meu modelo em Matlab, em breve espero ter resultados interessantes para compartilhar.

De toda forma, vale ressaltar que nenhum banco central do mundo toma decisão baseado apenas em resultados dos seus modelos DSGE. Afirmar isso, seja para o BCB ou qualquer outro, é completa falta de informação de como se gerencia política monetária ou má fé… Só mesmo para quem “não entendeu o enredo desse SAMBA, amor…”

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Japão – Evento com Especialistas de Columbia

 

Tenho acompanhado atentamente as notícias e as análises de especialistas sobre o terremoto que atingiu a costa nordeste do Japão, no dia 11 de março. Além dos meus mais profundos sentimentos pelas perdas humanas, não tenho nenhuma contribuição essencial para o tema; não sou especialista em economia japonesa, apenas admiradora da cultura e da história desse povo heróico e resiliente.

Exatamente por isso procurei aprender mais um pouco ouvindo especialistas da Universidade de Columbia, num evento realizado ontem, dia 22 de Março, intitulado “The Economic, Health, and Political Consequences of Japan’s Earthquake”, e vou reportar aqui os pontos que considerei mais interessantes da fala de cada um dos especialistas, claro que sob meu próprio filtro.

O primeiro a falar foi Professor Brenner, especialista em efeitos da radiação sobre a saúde, que começou explicando como funciona uma usina nuclear e como pode haver vazamento de material tóxico em casos como o do Japão. Primeiro, os reatores desligam automaticamente na ocorrência de um terremoto, e como houve falta de energia, a refrigeração necessária mesmo com os reatores desligados não ocorreu, levando à necessidade de liberação de vapores radioativos como medidas emergenciais, evitando uma catástrofe nuclear. A contaminação tem sido mínima, e segundo esse especialista, não deve causar dano algum à população da região no curto prazo. O problema está no acúmulo do material radioativo (I-131 e Cs-137, principalmente) no ambiente no médio e longo prazo, o que requer um programa de acompanhamento da população, da produção agropecuária e da cadeia alimentar como um todo. Isso porque o I-131 tem meia-vida física de 8 dias e o Cs-137, de 30 anos. Ou seja, a cada 30 anos metade da quantidade do elemento se desintegra, no caso do Cs-137. Já a meia-vida biológica (considerando os efeitos desses elementos sobre os seres vivos) é se 3 meses para o I-131 e de 70 anos para o Cs-137.  Professor Brenner também apresentou uma interessante tabela em que  mostrou os principais caminhos de exposição das pessoas a tais elementos radioativos: 55% bebendo leite e 15% por meio do consumo de outros tipos de alimentos, produzidos na região atingida; 15% por inalação e 15% por exposição direta. Assim, as medidas imediatas são evacuação e proibição do consumo de produtos, leite principalmente, da região. Quantos aos efeitos sobre a saúde de uma baixa dose de exposição (a qual ainda não foi alcançada no caso japonês), citou um pequeno aumento no risco de desenvolver câncer no longo prazo: esse risco ao longo da vida “normal” é de 44%, com a exposição a doses baixas, aumentaria para 44,3%. Ele também chamou a atenção para a possibilidade de ocorrência de psico-sintoma, numa escala mais geral, como foi verificado no episódio de contaminação por Cs-137 em Goiânia em 1987, em que diversas pessoas que não estavam de fato contaminadas foram atendidas em hospitais com queixas de sintomas de contaminação, o que também requer atenção das autoridades de saúde japonesas.

Quanto as consequencias econômicas, Professor Weinstein começou sua exposição alertando para o fato de que a atividade econômica japonesa está intimamente ligada a geografia física, mostrando mapas som fotos de satélite que permitiam identificar as áreas mais populosas e de maior importância econômica nas regiões mais planas fisicamente. A principal área atingida pelos terremoto e tsunami não são de relevância econômica, também por isso acredita que as consequências econômicas não serão severas. Agregou a esse argumento, outro que explica porque não deve haver grande efeito de propagação de uma crise: a utilização da capacidade instalada (máquinas, equipamentos, infraestrutura) estava relativamente baixa antes da ocorrência do terremoto, era de 82%. Ou seja, o Japão não perdeu capacidade instalada significantemente, uma vez que as principais perdas materiais são de bens de consumo duráveis (casas, carros, edifícios comerciais, etc), e terá, agora uma elevação de demanda desses bens que poderão ser produzidos ao longo do tempo sem grandes pressões do lado da oferta. Ele acredita que em 1 ou 2 anos a economia japonesa está restabelecida e com a possibilidade de se mostrar mais dinâmica que anteriormente, devido ao choque de demanda atual. Mesmo em relação ao insumo energético, que poderia ser uma restrição de oferta, Professor Weinstein não vê grandes problemas, lembrando que o sistema energético japonês tem uma diferenciação de voltagem entre o leste e o oeste, que impediria que a energia gerada no oeste fosse transferida para o oeste, mas mesmo assim, os principais centros econômicos não sofreriam escassez de energia no médio prazo, dentro das circunstâncias atuais. O ponto que talvez seja o mais sensível é a sustentabilidade fiscal do governo japonês, que já acumula uma dívida líquida de 114% do seu PIB, mas a estimativa de impacto dos gastos japoneses com a recuperação econômica é de 2 pontos percentuais, o que, segundo ele, não causaria grandes efeitos sobre a sustentabilidade fiscal ao longo do tempo.

Professor Curtis tratou das questões políticas, chamando a atenção para o fato de que o governo japonês têm respondido a esse episódio de forma mais aberta, honesta e afável, inclusive aceitando ajuda internacional, como em nenhum outro momento. Ressaltou a forma como especialistas, comentaristas, cientistas e jornalistas têm falado ao público, de maneira serena, exatamente o que sabem no momento, na cobertura da NHK que ele tem acompanhado. A pergunta para a qual ele não tem resposta é: “Os políticos irão elevar o nível do debate político e aproveitar a energia para reconstruir e crescer que o povo japonês possui?”. Segundo Professor Curtis, os japoneses não necessitam de líderes carismáticos para aglutinar a sociedade em torno de um objetivo, eles não estão em pânico, nem com raiva da natureza ou do governo, eles só precisam de gerenciamento administrativo.

 

Espero ter contribuído de alguma forma, compartilhando um pouco do que aprendi com vocês!

Speakers:

David J. Brenner

Higgins Professor of Radiation Biophysics, College of Physicians & Surgeons of Columbia University; Director of the Center for Radiological Research (CRR); Director of the Columbia University Radiological Research Accelerator Facility (RARAF)

Prof. Brenner is an expert in the field of identifying the effects of low doses of radiation relating to medical, occupational, and environmental exposures, and winner of the the 1992 National Council on Radiation Protection and Measurements Award for Radiation Protection in Medicine.

Gerald L. Curtis

Burgess Professor of Political Science; Director, Toyota Research Program, Weatherhead East Asian Institute, Columbia University

Prof. Curtis has published extensively on Japanese politics and serves as a columnist for numerous Japanese and US news publications. He was awarded the Order of the Rising Sun, Gold and Silver Star by the Emperor of Japan, one of the highest honors bestowed by the Japanese government.

 

David E. Weinstein

Carl S. Shoup Professor of the Japanese Economy; Associate Director for Research, Center on Japanese Economy and Business, Columbia Business School; Executive Director, Program for Economic Research, Columbia University

Prof. Weinstein has written extensively on the economic impact of catastrophic events in Japan as well as on trade, macro, and financial economics. Prof. Weinstein is the winner of numerous grants and awards and has served as an advisor to the Japanese Cabinet Office and to the Federal Reserve Bank.

 

Curtis J. Milhaupt (Moderator)

Fuyo Professor of Japanese Law; Parker Professor of Comparative Corporate Law; Vice Dean, Columbia Law School

Prof. Milhaupt is an expert on the Japanese legal system, and has published widely in the fields of corporate governance and law and economic development.


Workshop de econometria – ou será grego?

Atividades acadêmicas a todo vapor por aqui!

É muito bom poder voltar a ser estudante, andar à pé ou de metro (tem chovido bastante por aqui… e como venta nesta ilha!) – é… isso não é la muito bom, vai! Mas faz parte do pacote. Aliás, foi exatamente por essas possibilidades que decidi, há quase 5 cincos, sair da atuação em universidades privadas para a pública: não há nada mais prazeroso para mim que voltar a estudar, aprender coisas novas, conhecer o dia-a-dia de outra cultura, interagir com gente do mundo do todo! Entrar numa sala de aula e simplesmente ouvir, pensar, anotar e, às vezes, fazer perguntas (nunca dormir, bocejar descaradamente, ou entrar e sair a toda hora… )! E o mais: ali, na sua frente, explanando um tópico da matéria, um sujeito cujos artigos você lê desde que “se entende por gente” na área!! Fantástico!

Tenho frequentado os workshops de macroeconomia e de econometria, em que participam convidados de diversas universidades mundo à fora, e os colloquiuns dessas mesmas áreas. Nesses últimos, tenho me sentido bastante confortável, porque são apresentações dos artigos que comporão as teses dos estudantes de phd do departamento, então, embora o nível seja elevado, eu tenho acompanhado bem as discussões. O mesmo posso dizer do Money & Macro Workshop, coordenado pelos profs. Ricardo Reis (meu supervisor no programa) e Michael Woodford, que acontece às terças pela tarde, embora aqui realmente se discuta a fronteira da área, ainda tem sido bastante palatável.

Porém… Econometrics Workshop, coordenado pela prof. Serena Ng, que regularmente conta com a presença dos profs. Bernard Salanié e Jushan Bai… nossa! tem sido quase grego para mim! A discussão aqui é em nível avançadíssimo e teórico, claro. Para alguém que se pretende boa usuária da econometria apenas, como eu, é muito difícil entender o propósito dos artigos e muito menos o desenvolvimento deles. Para dar uma idéia, veja o título do último: “Cube-Root-N and Faster Convergence, Laplace Estimators, and Uniform Inference”… hã?? pareceu grego a certa altura da apresentação…


Proteção contra risco de mercado: contratos futuros

 

Nos mercados de derivativos são negociados instrumentos financeiros que são derivados ou dependentes do valor de outro ativo, como o próprio nome já diz. Os mercados de derivativos são caracterizados pela negociação a futuro: comprar ou vender um derivativo significa comprar ou vender o ativo base (ou subjacente) no futuro, a um preço e tempo predeterminados. O ativo base pode ser uma commodity (como o açúcar) uma ação, um título público, um índice de ações, o câmbio, dentre outros. Os segmentos que compõem os mercados de derivativos são: Contratos Futuros, Contratos a Termo, Opções e Swaps.

Estes mercados têm se desenvolvido muito nas últimas décadas e, para além de seu potencial para causar ou amplificar crises financeiras, como a última Grande Contração de 2007-2008, não se pode ignorar seu importante papel no gerenciamento dos riscos das atividades econômicas.

Um dos riscos aos quais as atividades do setor sucroalcooleiro (não só, mas como aqui tem cana para todo lado, resolvi usar esse exemplo) estariam sujeitas é o risco de mercado. Este tipo de risco provém das flutuações entre o preço de venda à vista e o de entrega futura da mercadoria que, quando negativas, afetam a liquidez e mesmo a solvência da empresa a médio e longo prazos.

Travar o preço futuro de venda do produto pode, então, evitar a sujeição de toda uma rede de estratégias e decisões de produção, desde o plantio até a colheita, moagem e processamento do açúcar e do álcool, aos caprichos da oferta e demanda do mercado à vista. O mercado futuro, em que são negociados os contratos futuros, oferece essa possibilidade de proteção (ou hedge).

No Brasil, os contratos futuros de açúcar  (e o mais recente mercado futuro de etanol) são negociados e garantidos pela Bolsa de Mercadorias & Futuros, a BM&F, hoje BM&FBovespa. Internacionalmente, contratos futuros de açúcar são negociados nas Bolsas de Nova Iorque (New York Board of Trade – NYBOT) e em Londres (London International Financial Futures and Options Exchange – LIFFE)

Nestes contratos, uma parte concorda em fornecer o ativo-base (o açúcar, neste exemplo), em alguma época no futuro, em troca do acordo da outra parte em pagar o preço combinado (preço de exercício) na ocasião do fornecimento (vencimento). O primeiro indivíduo assume a posição vendida no futuro, e o último, a posição comprada. Este instrumento pode ser utilizado como hedge, uma vez que alterações de preço do ativo após a realização do acordo geram ganhos para uma parte e perdas para a outra (tecnicamente, as chamadas de margem).

Preço futuro, a vista e volume de negócios – um exemplo

Os contratos futuros da BM&FBovespa são para o açúcar cristal especial, cotados em dólar por saca de 50 quilos líquidos e possuem cinco vencimentos no sexto dia útil de cada mês: fevereiro, abril, julho, setembro e novembro.

Como exemplo, o gráfico acima reporta o contrato futuro vencido em 08/02/2007. O ciclo de negócios se intensifica no mês de vencimento do contrato imediatamente anterior (novembro), e os preços negociados antecipam as tendências e oscilações do mercado a vista, convergindo para o preço a vista tanto mais a data de negociação se aproxima daquela de vencimento do contrato.

Como se dá essa convergência entre preços futuro e à vista depende do grau de eficiência do mercado futuro relativamente ao mercado à vista. Trataremos disso no próximo post!


Dicas para se preparar para provas


Estas dicas são especialmente para os meu alunos de Matemática Aplicada II, e se estendem ao estudo de conteúdos quantitativos e aplicados à economia, naturalmente.

Em primeiro lugar, identifique o assunto, o que é que você está estudando? Como esse assunto se relaciona com o que você já estou na área? O que tem de novidade? Quando você responde a essas perguntas você está construindo conexões em sua memória que facilitam a compreensão e o aprendizado efetivo, sem “decorebas”!!

Identificar o que é novo é importante para definir um foco claro e estudar de maneira eficiente. Confie no que você já sabe, não pense que será necessário estudar novamente todo o conteúdo anterior (desde limites e derivadas de função de uma variável, no nosso caso!!), apenas revisando aqueles pontos diretamente conectados ao que tem de novidade no estudo atual, se for necessário.

A partir da identificação do assunto em termos mais gerais, identifique os casos e as variações específicas. Para cada caso, esteja certo de que você sabe identificar a técnica de tratamento e/ou de solução adequados. Isso vai te poupar muito tempo no momento da prova, pois você diminui as chances de se atrapalhar tentando aplicar uma técnica de solução que não se aplica ao caso ou a um problema para o qual não há solução fechada (tais como boa parte das equações diferenciais não-lineares…)

Cumpridas as duas primeiras etapas, estude as técnicas de solução para cada caso. Aqui, cada estudante tem sua maneira própria – alguns gostam de resumir o conteúdo teórico, outros de apenas lê-lo, outros ainda preferem fazer esquemas lógicos mais visuais, etc. O importante é observar a regra geral: matemática (ou conteúdos quantitativos em geral) requer a prática, o treino, a resolução completa de exercícios, várias vezes. Apenas olhar, ler e achar que sabe fazer quando precisar não resolve em termos de um aprendizado efetivo, para a média dos estudantes – o treino é fundamental para a maioria de nós.

Depois dessas etapas de estudo, por se tratar de uma disciplina aplicada, é necessário associar as novas ferramentas e técnicas de solução ao conteúdo de Economia: identifique claramente as aplicações possíveis de serem realizadas para o seu nível de formação. Cheque se compreende o problema econômico envolvido e como o uso das novas ferramentas quantitativas melhora a sua compreensão sobre o assunto.

Se você estiver seguro de que compreende o básico, dedique um pouco do tempo e esforços intelectuais para pensar em outras variações possíveis, em extensões dos modelos ou formas diferentes de tratar o mesmo problema econômico, a partir do seu novo conhecimento quantitativo.  Afinal, você será um economista em breve!

E, o mais importante, estude com alegria! Com genuína vontade de aprender e de iluminar a escuridão da ignorância que nos acomete a todos nós, continuamente.

Bom estudo!

Semestre novo, post novo…


Depois de um longo e tenebroso inverno… Eis que estou de volta!

Junho, correria de final de semestre… Julho, férias! Concordo… descumpri meu compromisso de persistência, assumido ao inaugurar este Blog – falhei em manter as postagens nos dois últimos meses.

Mas ao que interessa: semestre novo, novos projetos. Um deles é abrir uma página no blog para a disciplina que ministrarei na graduação; assim, teremos mais um meio de comunicação para trocar impressões, deixar opiniões sobre o andamento das aulas, sobre o conteúdo, etc. A disciplina, suponho, não é  a mais adequada para a introdução dessa inovação, mas vou experimentar de qualquer forma. Que seja já: o blog para a disciplina Matemática Aplicada II está aberto, na página ¨Bola da Vez¨!!!

Outra novidade é a criação do Clube de Leitura, que talvez mereça também uma página aqui… O que vocês acham? O clube será inaugurado com a leitura e discussão, com reuniões quinzenais, de uma obra clássica em economia: Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, de Jonh Maynard Keynes, publicada originalmente em 1936. Obra seminal para a macroeconomia moderna, poderá auxiliar os participantes a compreenderem muitos aspectos obscuros da macroeconomia básica de livros-texto, mas também plantará outras tantas questões interessantes nas cabeças desses futuros economistas…

Por enquanto, é isso! Um excelente semestre a todos!!



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