Não tem jeito, ela está de volta… uma ano fora das salas de aula e achei que seria suficiente para aplacar a minha síndrome de fim de semestre. Não foi. E pior: ainda nem corrigi as provas intermediárias!!
Minha síndrome aparece na forma de um desânimo e um cansaço em despender energia para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais eficiente, buscando formas mais adequadas de tratar os conteúdos, enfatizando o senso de continuidade dos temas abordados em aula, tentando inovações didáticas, etc, etc… Nada parece funcionar para que os estudantes compreendam seu papel no seu próprio processo de aprendizado: eles continuam lá, corpos presentes, mentes ausentes, como se aprendessem por osmose, raramente se dedicando àquilo que deles se espera – estudar, manter uma rotina do que eu chamo “horas-bunda de estudo”. Ok, você pode pensar que o problema não seja esse, que simplesmente a maior parte dos alunos (ou todos) opta por estudar outras disciplinas que não a minha, por motivos de afinidades pessoais com o conteúdo e/ou com o professor. É verdade. Isso pode acontecer, porém ainda não encontrei, em quase quinze anos de docência, um colega que me diga: “poxa, em média, essa turma estuda a minha matéria! participa das aulas fazendo questões interessantes (porque estudam antes da aula) e respondendo às questões que eu proponho, uma beleza!!”.
Sempre tenho longas conversas com alguns poucos colegas (de outras áreas) que se preocupam com o ensino e a formação dos estudantes, minha suspeita é a de que nosso sistema educacional forma robos passivos que vão às aulas esperando receber “cuspe e giz”. Pode até ser que seja, mas, poxa! no segundo ano de faculdade, com a idade e a experiência, já dá para começar a perceber que isso não funciona e que aprender depende mais de si do que do sujeito que está na frente da lousa!!
Até o final do semestre, minha síndrome se agrava e com certeza eu vou voltar aqui no papel de professora chata… rs
Felizmente, e porque minha decisão pela carreira docente é emocional e não racional, a cada nova turma eu recupero a esperança em que “dessa vez vai ser diferente”, afinal, estamos na Universidade de São Paulo, e se as coisas não melhorarem por aqui… enfim…
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