Mulher – nem melhor, nem pior: diferente

 

Mulheres, homens, guerra dos sexos, desigualdades de gênero, sexo forte, sexo frágil, e afins… Assuntos que nunca me interessaram até certo momento da minha vida. Achava eu, na inocência que se permite à juventude, que não seria o fato de ser mulher ou homem que faria diferença na minha vida profissional, em minha atuação na sociedade – bastaria o mérito, a eficiência, a capacidade para esta ou aquela atividade e pronto! Só dependeria de mim!

 

Claro, essa ilusão não durou muito (talvez tenha durado mais do que deveria)… aos poucos e a duras penas, aprendi que recorrentemente precisaria comprovar muito mais qualificação para alcançar o respeito e o reconhecimento que é quase natural à média dos homens, em termos profissionais e sociais. E aprendi que teria de aceitar salários menores e dificuldades específicas no acesso a cargos mais elevados, à progressão na carreira, por ser mulher. Na academia científica não é diferente: reproduzem-se as discriminações de gênero (não só, infelizmente) que se encontram na sociedade. E isso cansa, exige energia e atenção contínuas.

 

Sem pretensão alguma de discutir o assunto do ponto de vista neurológico, psicológico ou mesmo social, aqui registro apenas minhas impressões. Como mulher, reconheço diferenças de gênero. Minha percepção do mundo é a feminina, minha lógica de apreensão dos fatos e de respostas a eles, minha forma de dialogar, discutir e buscar soluções comuns me parecem diferentes da masculina. Nem melhor, nem pior: diferente, não desigual.

 

Abomino desigualdades de toda sorte. Discriminar é tratar como desigual.

 

Assim, a eleição da primeira mulher para o cargo mais importante da nação lança uma luz no fim do túnel, planta uma semente de esperança para as gerações futuras de brasileiras: “Sim, a mulher pode!”

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