Inovações Didáticas – Interação online

 

Preparar atividades que utilizem um ambiente natural para a geração que nasceu com internet pode funcionar bem como instrumento didático, e, claro, dá um trabalho enorme para o professor – mas continuo apostando que valha a pena. Esse semestre, estou novamente utilizando esse caminho. Para ilustrar também essa inovação, destaco um trecho da resenha: SILVA, Roseli ; BATISTA-FERREIRA, N. N. . Resenha Bibliográfica: BECKER, William E.; WATTS, Michael; BECKER, Suzzane R. (Ed.). Teaching Economics: more alternatives to chalk and talk. Cheltenham-UK: Edward Elgar Publishing Limited, 2006. 225 p.. Estudos Econômicos (USP. Impresso), v. 40, p. 967-973, 2010.

 

“O uso de tecnologia computacional para além do email e sítios da rede de internet, tema do sétimo capítulo, ainda é escasso entre professores de economia, e poucos utilizam atividades mais complexas baseadas em computador ou inovações didáticas como técnicas de aprendizado ativo ou como autoavaliação online, em geral porque tais atividades impõem um elevado custo pessoal para o próprio professor. Os autores, Kim Sosin (Universidade de Nebraska – Omaha) e Willian Golfe (Universidade Estadual de Nova Iorque), revisam a literatura que busca avaliar se o uso de tecnologia representa um grande passo para a educação e se auxilia os professores a serem mais efetivos e eficientes em seus trabalhos, alterando, inclusive, seus papeis no processo de aprendizagem. Os resultados não são conclusivos, mas há evidências de que algumas atividades tecnológicas contribuem para o aprendizado e outras não, citam como exemplo o uso das “apresentações em PowerPoint e conversa” em substituição ao “cuspe e giz” como tendo efeito negativo na performance dos estudantes. Os autores sugerem algumas boas práticas para ensinar com tecnologia, tais como jogos e simulações em computador (apresentados no capítulo três); o uso de blogs, que podem ser mantidos pelos próprios alunos sobre o curso, ou pode ser um meio do professor estimular discussões sobre temas de estudo, ou, ainda, uma forma dos estudantes entrarem em contato com a diversidade de pontos de vista, o que pode ser usado como uma excelente ferramenta de ensinar a pensar criticamente; se utilizados sabiamente e com cuidado, os blogs propiciam uma vivacidade ao curso de uma maneira que poucas tecnologias poderiam fazer.

Os autores acreditam que a tendência no uso de tecnologia para ensino de economia seguirá no sentido de aumentar a portabilidade no acesso à instrução e das oportunidades de interação dos estudantes com o material do curso e com o professor e outros estudantes. Dentre as recomendações de “do’s and don’ts”, destacamos: ajudar os estudantes a avaliar a informação online; pedir aos estudantes que avaliem a parte tecnológica do curso, buscando aferir se ela contribui para o aprendizado de economia; não sobrecarregar os estudantes com informação online; não desconsiderar os custos de aprendizado a si próprio frente aos benefícios de desenvolver novos usos de tecnologia ou novas abordagens pedagógicas.”

 

A atividade deste semestre para as turmas de Monetária é a seguinte:

Peso na média: 7,5%

Descrição: Cada trio, sorteado a cada semana, ficará responsável por pesquisar notícias sobre o tema de aula da próxima semana e produzir um texto, com conteúdo conceitual/teórico e não-opinativo, sobre o assunto, citando fontes e links para as notícias pesquisadas (máximo 3).

O texto deve buscar uma linguagem informal e que possa elucidar conceitos econômicos para um público amplo e conter no máximo 4.000 caracteres com espaço.

Cada estudante participará comentando e debatendo o texto/tema, indicando outras notícias relacionadas, e/ou ajudando a melhorar a explicação econômica do fenômeno. É importante que seja possível identifica-los nos comentários.

 Funcionamento:

O texto deve ser enviado em doc para o e-mail da professora, até a segunda-feira ao meio dia e a janela de comentários estará aberta até o domingo seguinte.

Avaliação: 50% para a qualidade do texto avaliada pela professora e 50% pela participação individual ao longo do semestre, acompanhada e contabilizada pelo Assistente.

 

O Economista de amanhã

 .

É você, estudante de economia de hoje. Você já pensou sobre o tipo de educação que você está recebendo? Eu pesquiso, estudo e ensino mainstream economics e sempre sou clara sobre com quais “óculos” vamos olhar para o mundo em aula, e sou favorável ao pluralismo de ideias, acredito que seja talvez a nossa mais importante tarefa contribuir para  formar jovens com aguçado senso crítico. Por isso convido meus alunos, como primeira atividade interativa das turmas de Economia Monetária, a tomar o bonde da atualidade – assistam ao vídeo, pesquisem os links indicados, indiquem outros, o que mais há no mundo nesse mesmo sentido?? Você já tinha ouvido falar sobre esse movimento internacional de estudantes? O que vocês, Uspianos, podem fazer para contribuir? Há algo parecido no Brasil (há uma fala sobre isso no vídeo, quem descobre quem já está envolvido, que faculdades?)? Já tinha ouvido falar sobre Wendy Carlin (tem um post em que falo do excelente livro de macro dela e Soskice aqui)?

“The master economist… must be a mathematician, historian, statesman and a philosopher – in some degree” (J.M. Keynes)

Preparados? Vamos lá:

O vídeo Oikonomos – Transforming Economic Education

Institute for New Economic Thinking.

Cambridge Society for Economic Pluralism,

Skidelsky sobre o tema, num post em Project Syndicat.

Matéria no Financial Times.

Aqui, uma síntese bacana no The Curriculum in Open-access Resources in Economics (CORE) project: Saving the baby, not the bathwater

Agora é com vocês!!

Inovações Didáticas – Experimentos

 

Lecionar disciplinas fora da área de métodos quantitativos propicia a implementação de algumas interessantes inovações didáticas. No presente semestre, ao lecionar Economia Monetária (minha área preferida ;-)), posso recolocar em prática algumas estratégias de ensino e de avaliação que tenho usado nos últimos anos e compartilho aqui com possíveis interessados, em três partes.

Uma delas é o uso de experimentos/jogos para introduzir conceitos econômicos abstratos. Reporto aqui trecho de uma resenha que publiquei para esclarecer o funcionamento dessa estratégia:

SILVA, Roseli ; BATISTA-FERREIRA, N. N. . Resenha Bibliográfica: BECKER, William E.; WATTS, Michael; BECKER, Suzzane R. (Ed.). Teaching Economics: more alternatives to chalk and talk. Cheltenham-UK: Edward Elgar Publishing Limited, 2006. 225 p.. Estudos Econômicos (USP. Impresso), v. 40, p. 967-973, 2010.

 

“Um exemplo clássico de jogo de leilão duplo[1] para pontuar a importância didática do uso de experimentos, e indica fontes já notoriamente conceituadas sobre o assunto[2]. Os apontamentos de Hazlett indicam que a eficácia dos jogos como método pedagógico requer que, além da sua simples aplicação, o professor utilize os dados gerados para uma profunda discussão com os alunos. No decorrer do curso, o professor pode recorrer à experiência do jogo para continuar aprofundando outros conceitos.

Nesta discussão os conceitos econômicos relevantes devem ser deduzidos pelos próprios alunos através da experiência vivida. O professor deve conter-se e ter atenção suficiente com a linguagem utilizada para não influenciar os alunos, levantando questões capazes de induzir o raciocínio deles. Dado seu fim pedagógico, é importante que o jogo ocorra sempre antes da apresentação dos conceitos econômicos e não depois. Segundo a autora, quando o jogo é aplicado após a explicação dos conceitos, os alunos questionam se os resultados alcançados são efetivamente válidos.

A autora aponta que, para os jogos em sala de aula, vale a mesma regra fundamental dos experimentos de pesquisa econômica: a existência de incentivos. Em cursos em que uma parte razoável dos conceitos será transmitida através da aplicação de jogos é natural que os ganhos sejam computados por meio de pontos que comporão a média do aluno no curso.

Dentre os “do´s and don´ts” referentes a ambos capítulos pontuamos: a clareza das instruções é muito relevante para o sucesso do jogo, a discussão com os alunos deve ocorrer logo após a finalização do jogo ou o mais breve possível (na mesma aula ou no inicio da próxima); a avaliação do curso deve conter questões que abordem o que os alunos aprenderam a partir dos jogos…”

[1] Para análises mais detalhadas sobre o uso de jogos em sala de aula ver Holt e McDaniel (1998) e Holt (1999).

[2] Tais como periódicos, sites de suporte a execução da atividade didática como também programas voltados especificamente para inovações na área de ensino em economia. Ver: http://www.marietta.edu/~delemeeg/games/ e http://people.virginia.edu/~cah2k/

 

 

Avaliando o desempenho dos estudantes

 

Nada é mais difícil que avaliar o desempenho dos estudantes ao longo do processo ensino-aprendizado. Ocorreu-me compartilhar com os possíveis leitores alguns aspectos dos métodos que tenho adotado para tal atividade, quem sabe não surgem boas sugestões e discussões??

O ensino é, para mim, uma das contribuições sociais mais relevantes que um professor de uma universidade, pública principalmente, pode fazer (veja o post “Involve me and I learn“), e avaliar o aprendizado requer compromisso com a qualidade e dedicação de tempo e esforços (e muito!!). É preciso reconhecer, logo de partida, que a avaliação deve fazer parte do processo ensino-aprendizado, e não ser apenas uma métrica que expressa, sempre de maneira imperfeita, o desempenho do aluno – deve ser um instrumento por meio do qual o estudante se conscientize e se aproprie do seu processo de aprendizado, do qual somos coadjuvantes facilitadores. Eu tenho procurado adotar alguns procedimentos no sentido de me aproximar de uma avaliação formativa, que posso resumir nos pontos abaixo:

1. O método de avaliação é proposto para a turma logo no primeiro encontro e faz parte do programa, assim como as datas das avaliações e atividades.

2. Distribuo o peso da avaliação em atividades realizadas em sala de aula e fora dela, em grupos ou individualmente – tais como listas de exercícios, quizes em sala, “one minute paper”, trabalhos com apresentações para os colegas, experimentos e simulações, quando possível. É preciso deixar claro que qualquer atividade em grupo é mais uma oportunidade de aprendizado, com trocas entre estudantes e, sempre que possível, auxílio de um assistente de ensino ou de um monitor. No entanto, nunca ultrapasso 20% da média para tais atividades – será pouco??

3. Realizo pelo menos duas provas dissertativas, sem consulta, contemplando os pontos fundamentais do conteúdo. Em cada uma delas, uma questão é retirada integralmente das listas de exercícios e tem o importante papel de ser um ponto de entrada para a prova, diminuindo o estresse do momento de avaliação. Com isso, incentivo que, mesmo sendo uma atividade em grupo, cada aluno se dedique a compreender e saber solucionar todos os exercícios requisitados. Além disso, em cada questão a pontuação está claramente definida, inclusive para cada subitem, para o que estudante possa avaliar o peso relativo de cada questão e ponderar o uso do tempo e o grau de profundidade da resposta esperada.

4. Realizo vista de prova, em data prevista no cronograma, e este é o principal momento para que a avaliação se torne formativa. Neste dia, antes de entregar as provas corrigidas e discutir as respostar e tirar dúvidas sobre o conteúdo, proponho aos estudantes que respondam ao que tenho chamado de “chute educado”, em que requisito que me revele o número de horas que estudou para a prova (não tem sido muito informativa essa resposta…) e que nota espera tirar. Aqui, como todo economista sabe, preciso oferecer incentivos para que o aluno revele sua nota esperada com a máxima verossimilhança  e, para isso, ofereço como prêmio 0,5 ponto na nota da prova se a nota que espera tirar estiver num intervalo de 0,5 ponto acima e abaixo da nota efetiva, limites inclusos. Com isso, espero que o estudante se conscientize do trabalho que realizou, do quanto se dedicou para os estudos do conteúdo e como isso, naturalmente, se reflete na nota que ele tirou!! Esse meio ponto também tem um papel de minimizar distorções que a subjetividade da correção imprime às notas. Os resultados têm sido bastante interessantes e estou trabalhando num artigo sobre o tema, incluindo controles, claro – mais adiante farei um post sobre o assunto.

5. Por último, mas não menos importante, corrijo as provas por questão, e não por provas. Isso torna meu processo mais eficiente, pois mantenho a concentração na chave de resposta de apenas uma questão por vez e diminui as distorções entre provas, inclusive tomando o cuidado de começar e terminar a correção da questão num intervalo corrido de tempo, tomando pausas entre questões apenas.

É isso! Trabalhoso e cansativo, mas necessário.

.

Reencontrando a jovem estudante de economia

 

Organizando meus arquivos antigos, deparei-me com textos que mal são reconhecidos no editor atual. São velhos. Velhos resquicíos de uma jovem e dedicada estudante de economia: eram os textos que compuseram minha iniciação científica, intitulada “Síntese Neoclássica e Curva de Phillips: uma formalização do problema da inflação” – sim, à época todos temiam o “dragão da inflação”!!

Fazer equações e gráficos naquela época era uma tarefa muito dura e eu, sem computador em casa e com pouco tempo para digitar meu texto no laboratório de informática da FEA, optei por deixar espaços que seriam preenchidos à mão por gráficos e equações… rs… algo impensável hoje! Nem por isso, o trabalho deixou de ter excelente qualidade e, além da bolsa Fapesp, recebeu um dos prêmios de melhor monagrafia daquele ano!

Tenho me divertido lendo os escritos da jovem estudante… E pretendo juntar todos os arquivos em LaTex e reeditar o trabalho completo qualquer dia desses (aceito ajuda, claro!). Por hora, reporto um trecho da subseção das conclusões (repare no subtítulo… rsrs…):

“Dos Ombros de um Gigante

       Este trabalho logrou percorrer uma boa parte dos desenvolvimentos da macroeconomia até a década de setenta. Começamos nos anos vinte com um estereótipo da teoria clássica, em seguida apresentamos as contribuições de Keynes através de um estudo da Teoria Geral. Com a Síntese Neoclássica procuramos chamar a atenção para alguns pontos importantes daquelas contribuições que foram completamente distorcidos ou negligenciados por esta reinterpretação neoclássica de Keynes. Visando compreender o instrumental de análise da inflação, agregamos ao estudo a Curva de Phillips e acompanhando suas versões vimos os pilares da racionalidade neoclássica sendo remontados.

      Embora ciente da pouca profundidade em muitos tópicos da análise aqui empreendida, a visão ampla do desenvolvimento da macroeconomia propiciada por este esforço de pesquisa permite questionar até que ponto a ciência econômica evoluiu de fato, no sentido de contribuir para uma melhor compreensão do real funcionamento das economias capitalistas modernas.”

 

Bem… daí já se depreende o viés crítico. O textou seguiu sintetizando os principicais desenvolvimentos do trabalho, enfatizando o uso intensivo de matemática e econometria (que não condenei, ainda bem… rsrs), e termina com estes dois singelos e ingênuos parágrafos:

 

“Se é a incerteza que cerca as decisões cruciais, como as de investir, que abre espaço para a não neutralidade da moeda e se não há  motivos para que, mesmo no longo período, a moeda perca suas peculiaridades e atributos a ponto de deixar de ser uma alternativa aos investimentos, não há  porque inferir sua neutralidade no curto ou no longo períodos.

      Mantendo esta postura mais realista, estamos mais próximos da compreensão do funcionamento das economias capitalistas avançadas e das questões macroeconômicas que delas emergem – descobrimos o mundo fascinante por trás das curvas de oferta e demanda!”

 

Ok. Não tenho como escapar – nos tenros anos da juventude, quase aderi à heterodoxia pós-keynesiana!!! Não me arrependo, foram anos de intenso aprendizado e estudo de textos clássicos, incluindo a própria Teoria Geral, de cabo a rabo estudada e debatida com minha orientadora, Profa. Silvia Schor, a quem só tenho palavras de agradecimento e reconhecimento pelo seu excelente trabalho de orientação. Enfim, tem sido divertido reler a jovem Roseli, tão cheia de ambições e sonhos, com a paciência e a tolerância que só a maturidade nos propicia!

 

 

Para os iniciantes em R, como eu!

 

Em minhas primeiras incursões ao aprendizado de R, tenho tentado me motivar a encampar o custo de entrada, e aqui compartilho alguns textos que estão em ajudando e podem ser úteis para outros novatos!

Aqui, 5 boas razões para usar R:

Econometrics by Simulation: Why use R? Five reasons..

E aqui, um texto que sintetiza aplicações a minha principal área de interesse: econometria de séries temporais (TSAR). Esclareceu muitas dúvidas que eu tinha sobre o poder das ferramentas disponíveis para área e também me alertou sobre a qualidade das bibliotecas disponíveis no CRAN, indicando a preferência por bibliotecas usadas em livros textos ou artigos publicados, já atestadas por pares em sua qualidade não só com uso da linguagem, mas também como ferramenta de análise eficiente. Ele também fala sobre usar Sweave  (“R supports high-quality technical typesetting and reproducible research including reproducible applied statistical and econometric analysis” e diz que escreveu o artigo usando isso e scripts de R. Alguém já usou? Ai, ai, ai… agora que me acostumei com LyX!!

 

 

 

 

 

Rrrrrrrrrrrrrrrr…

 

R.

É esse mesmo o tema do post. Não, não estou brava (ou estou? ok, estou). É que dedicar horas-bunda de estudo para aprender “mais uma linguagem ou mais um software”, depois de uma certa idade, tem um custo de oportunidade elevadíssimo… Mas vamos lá. Afinal, ensino numa universidade pública e usar um software livre nas aulas de econometria deve ter um benefício social bem maior que o meu custo privado – quero crer. Além disso, dizem os usuários, quando os estudantes precisam programar aprendem mais e melhor – tenho dúvidas. Tenho dúvidas inclusive de que seja possível rodar em R pelo menos 30% dos métodos e testes de especificação de um curso de séries temporais para a graduação (Claudio  tem a resposta??).

Exatamente para tentar dirimir essas dúvidas e minha ignorância no assunto que estou, segundo meu amigo Claudio Shikida, entrando no “maravilhoso mundo da linguagem R”. Aliás, veio dele a inspiração para encarar tal tarefa, já confessei isso e ele ficou feliz, concluindo que me Granger-causou! Em seu blog Gustibus, quase todo dia tem um post com dicas valiosas e aplicações iniciais a problemas de pesquisa interessantes, que ele denomina “Momento R do dia” – neste link estão os posts com etiquete R.

Por enquanto, só posso compartilhar com vocês meus passos iniciais dados na plataforma de aprendizado online para R, denominada DataCamp; comecei lá e estou gostando – é quase “R for Dummies” (em breve poderei implementar as dicas do Clau-clau)!!

 

 

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